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Comunidades realizam vigília na porta de escola ocupada

De acordo com a Paróquia, mais de 250 pessoas participaram do ato. O padre Kelder Brandão, contou que teve a ideia de chamar os fiéis para rezar pelos estudantes depois que foi impedido de entrar na Escola ocupada por um segurança.

Essa iniciativa das comunidades católicas de São Pedro é importante porque está em sintonia com a recente nota emitida pela CNBB contra a PEC 241 e porque mostra que a “igreja em saída” não se faz apenas com militância social e política, mas também com devoção, louvor e oração, mostrando que os grupos de oração podem também realizar gestos políticos importantes.

Contrária à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto de Gastos, a Paróquia São Pedro Apóstolo, na Grande São Pedro, em Vitória, promoveu na noite desta segunda-feira (07.11) uma vigília em defesa dos estudantes que ocupam escolas no Espírito Santo.

A PEC do Teto (antiga PEC 241, que hoje tramita no Senado com o número 55) foi proposta pela equipe econômica do governo Michel Temer e limita o aumento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos.

O momento de oração aconteceu em frente à Escola Viva, em São Pedro. De acordo com a Paróquia, mais de 250 pessoas participaram do ato.

Considerada modelo de educação pelo Governo do Estado, a Escola Viva também foi ocupada na última terça-feira (01).

No Facebook, a paróquia convocou a comunidade a estar presente na vigília e afirmou que os manifestantes encontram-se “em dificuldades por ter seus direitos de manifestação violados”.

Em entrevista ao Gazeta Online, padre Kelder Brandão, pároco da comunidade, contou que teve a ideia de chamar os fiéis para rezar pelos estudantes depois que foi impedido de entrar na Escola Viva.

“Na sexta-feira (04), estive na Escola Viva para ver como estavam os estudantes, mas fui impedido por um segurança que disse que eu não poderia entrar. Fiquei preocupado com eles porque estão impedindo a entrada de ajuda, de alimentos”, conta o padre.

A vigília da paróquia vai ao encontro da posição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Para a entidade, a PEC é injusta e seletiva porque ela afetaria os investimentos em áreas primárias, como educação e saúde, mas não estabelece um teto para o para o pagamento dos juros da dívida pública.

“A CNBB emitiu uma nota fazendo duras críticas porque a PEC prejudica a comunidade carente, os mais pobres. Afeta a educação, seguridade social, a saúde.”, opina o sacerdote.

O Governo Federal, entretanto, rebate a afirmação e diz que a educação e a saúde não serão prejudicadas porque há a possibilidade de realocamento de recursos dentro do orçamento.

A vigília não foi a primeira ação realizada pela comunidade em prol dos manifestantes. A Paróquia, segundo o padre, também ajuda com apoio espiritual e na arrecadação de alimentos para os estudantes que ocupam a Escola Viva e a Escola Municipal Tancredo Almeida Neves.

Simpático às ocupações, o sacerdote defende que a igreja Católica deve apoiar os movimentos sociais.

“Além da PEC, os estudantes levantam questões importantes: que educação a comunidade quer de fato? Uma escola que só cumpra horários ou que tenha o protagonismo da comunidade? Para argumentar contra, há quem diga que os estudantes corram risco dentro das ocupações, mas os jovens de São Pedro estão expostos à violência 365 dias por ano porque o poder público não garante a segurança deles”.

 

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