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Carta pastoral da Diocese de Volta Redonda sobre o momento político atual

O momento sócio político atual têm levado manisfestantes às ruas, em especial contra as medidas propostas pelo governo interino. Umas das reformas que têm causado grande debate na sociedade, considerado, sobretudo um retrocesso para as populações mais pobres é a PEC 287/16, conhecida como a reforma da previdência. Nas novas regras, para receber o valor integral, será preciso ter 49 anos de colaboração com o sistema de seguridade social. Atualmente, para se aposentar com o teto, homens precisam ter 65 anos de idade e 35 de contribuição. Já mulheres obtêm o benefício máximo com 60 anos e 30 de contribuição, conforme estabelecido pelo artigo 201, parágrafo 7º, da Constituição. o limite de idade para aposentadoria será de 65 anos, o mesmo dos países da União Europeia, onde a expectativa de vida é de 80 anos, 20 a mais do que no Brasil. A igualdade de tempo de contribuição entre homens e mulheres desconsidera por inteiro as desigualdades de gênero que diversas mulheres brasileiras sofrem no país. 

A partir desse debate, diversas entidades religiosas têm se manifestado contrário à reforma da previdência e suas consequências para as gerações futuras. Apresentamos a seguir uma carta pastoral da Diocese de Barra do Piraí e Volta Redonda sobre o momento político atual, assinada pelo bispo diocesano Dom Dom Francisco Biasin.

 

Caríssimos padres, diáconos, religiosas, seminaristas e todos os fiéis leigos(as) presentes no Encontro de sensibilização da CF 2017.

 

       Saúdo a todos os irmãos e irmãs presentes neste início do ano pastoral, sempre marcado pela preparação e encaminhamentos do tema e da vivência da CF que a cada ano aprofunda uma realidade de grande relevância para o nosso País. Os biomas brasileiros são os que definem o equilibrio ambiental para a vida de todos os seres vivos que neles habitam e que, hoje como nunca, estão sendo ameaçados pela intervenção predatória do lucro e do capital. A insanidade dos poderosos da terra e dos corruptos não pensa nem no presente nem no futuro do planeta e do nosso Brasil que, uma vez preservado, poderia se tornar um modelo para outras nações do mundo.

         O dia de estudo, sem dúvida proporciona e fornece elementos importantes e até necessários para assumirmos com consciência mais clara a nossa responsabilidade na preservação da casa comum. As nossas preocupações diante do descaso de muitos políticos e da opinião pública influênciada pela mídia, se juntam àquelas dos povos indígenas de outras minorias que precisam dos biomas para tocar a sua vida na preservação do ambiente baseando-se numa economia sustentável. Sabemos que podemos contar na nossa diocese com pessoas competentes e apaixonadas pelo assunto, assim como acontece com os membros da Comissão Ambiental Sul e de outras organizações governamentais ou não. Graças a Deus elas se colocam à disposição para conscientizar as nossas comunidades eclesiais.

        Este ano tem vários eventos que irão nos lembrar e nos comprometer com o tema da CF: a Imagem de N. Sra. Aparecida que peregrina na nossa diocese, encontrada nas águas do Rio Paraíba é sem dúvida um chamado especial. A peregrinação dela começou no antigo pequeno porto de Itatiaia de onde eram escoados os produtos, sobretudo café e cana para outras partes do Estado do RJ. Recebi das mãos de um pescador a imagem, vinda de barco numa celebração singela e muito significativa no meio da aclamação daquele povo.

           Teremos no fim de julho a Rota 300 com a participação de centenas de jovens vindos de várias regiões do Brasil em Romaria para Aparecida, querendo passar em todas as dioceses banhadas pelo rio Paraíba. 

            O Dia de oração pelo cuidado da criação em 1º de setembro e outros eventos muito significativos serão para nós um lembrete contínuo para não abrir mão do nosso compromisso.

            Tenho certeza que poderemos contar com a presença de outras igrejas cristãs e outras religiões para a preservação dos biomas, num grande mutirão ecumênico e inter-religioso. Há muitas pessoas sensíveis ao cuidado da casa comum.           

            A todos vocês, meus irmãos e minhas irmãs vai o meu carinho acompanhado com minha bênção de pastor.

 

Um grande abraço de seu bispo

                                                                                                                      + Francisco

                                                                                              

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