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Campanha da Fraternidade 2018: Em Cristo, somos todos irmãos

Campanha da Fraternidade 2018: Fraternidade e Superação da Violência

A Igreja católica, no Brasil, nos convida a refletir sobre as diversas formas de violência e a superá-las, por nossa condição de irmãos, filhos e filhas do mesmo Pai.

Cabe a nós uma tarefa muito urgente:

  • Ver a realidade de violência promovida, na maioria das vezes, pela injustiça social;
  • Julgar esta realidade com os olhos do coração e da mente, na mensagem do Cristo, que veio para que todos tenhamos vida em abundância;
  • Agir concretamente para a construção de um mundo agradável a Deus, sem intolerância, desrespeito e violência à obra da criação amorosa de Deus, em especial à vida humana.

Nós, cristãos pelo batismo que recebemos, não podemos dar asas às ideias daqueles que divulgam a violência para encontrar a paz, àqueles que apostam em uma sociedade armada até os dentes para se defender e que, portanto, pregam uma sociedade pré-cristã. Para nós, não vale a lei de Talião, do dente por dente e olho por olho.

A nossa lei, disse Jesus, é o amor, que aflora na partilha, na solidariedade e na promoção de um mundo para todos; um mundo, portanto, de políticas públicas que combatam a violência pela educação de qualidade, pelo direito à saúde pública e pela construção cotidiana de oportunidades para todos e todas.

O último estudo sobre a violência no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2016, nos convida a uma reflexão.

  • Foram registradas mais de 61.619 mortes violentas intencionais, com alta de 4,7%, em relação a 2015.
  • A cada hora, sete pessoas morreram de forma violenta, por hora, no Brasil. Foram 168 assassinatos, por dia.
  • O número de latrocínios (roubos seguidos de morte) cresceu 57,8% em sete anos.
  • As vítimas são, na maioria das vezes, homens (99,3%), jovens (81,8% têm entre 12 e 29 anos), negros (76,2%) e moradores das periferias.

 

Atentos ao quadro acima, vejamos o que nos diz a Igreja, no documento da Campanha da Fraternidade deste ano:

  • O combate à violência estrutural exige medidas mais complexas. Não haverá redução dessa forma de violência a menos que as condições de exclusão sejam modificadas (Texto-Base da CF, 44);
  • Não há solução para a violência fora das discussões que ocorrem no âmbito da política (Texto-Base da CF, 59);
  • A desigualdade gera violência. Não parece razoável esperar que haja tranquilidade enquanto, sistematicamente, pessoas são marginalizadas. A injustiça social traz consigo a morte (Texto-Base da CF, 72);
  • A guerra às drogas criminaliza o pequeno varejista e o usuário e favorece os grandes empresários de drogas e o sistema financeiro internacional (Texto-Base da CF, 107).

Ainda atentos ao estudo do Fórum de 2016, vejamos o que nos dizem os profetas, os papas e o colegiado dos bispos no Concílio Vaticano II:

  • O discurso dos profetas sobre a violência é concreto. Eles foram testemunhas privilegiadas das violências cometidas por seu povo e das injustiças contra os mais fracos. Eles são unânimes em denunciar o uso da violência e da opressão pelo povo de Israel e pelos povos vizinhos. Falam sobre o direito e a justiça em relação aos pobres. (Texto-Base da CF, 160; cf. Am 5, 24; Is 58, 6-7; Jr 7, 3-5)
  • A violência só e sempre destrói, nada constrói; só excita paixões, nunca as aplaca; só acumula ódio e ruínas e não a fraternidade e a reconciliação – São João XXIII.
  • Do Evangelho pode brotar a paz, não para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas o impulso da violência e da prepotência, pelas virtudes viris da razão e do coração de um humanismo verdadeiro – Papa Paulo VI.
  • Para edificar a paz, é preciso, antes de tudo, eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras, sobretudo as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar remédios necessários. Outras, porém, nascem do espírito de dominação e do desprezo das pessoas – Concílio Vaticano II, GS, 83.
  • “A globalização da indiferença, que, hoje, pesa sobre a vida de tantas irmãs e irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices de uma nova globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-las a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca em nossas mãos” – Papa Francisco.

Nós, cristãos, somos gente de esperança. Com essa perspectiva, e animados pela fé e certos da vitória, vamos fincar nossos pés e fazer a nossa história. O amor vencerá o ódio, o bem vencerá o mal. Caminhemos juntos para tornar este sonho uma realidade.

Paz e bem,

Por Reimont Ottoni*

* Professor, Bancário e Teólogo. Está em seu terceiro mandato de Vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro.

Artigo publicado originalmente em http://cartasprofeticas.org/

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