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Encontro de parceiros de Misereor na Bahia

“Coragem, comecem por onde possam!” Cláudio Perani

Foi realizado nos dias 30,31 de outubro de 2018, na sede da Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, na rua da Graça, 164 – Graça – Salvador, o encontro de parceiros de Misereor na Bahia. O evento teve a assessoria do Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais – CAIS. A representante de Misereor Anna Moser, e os representantes do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais – AATR, Conselho Pastoral Pescadores – CPP, Cáritas Nordeste 3, Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada – IRPAA, Centro de Estudos e Ação Social – CEAS, Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, Pastoral Rural da Diocese de Paulo Afonso, Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais– Sasop, se fizeram presentes.

O encontro teve início às 9:00 horas do dia 30, com a uma mística relembrando a resistência de Canudos (Canudos não se rendeu) como inspiração para nossa luta atual e um texto bíblico extraído do Livro do Êxodo, 14,15: “Diga ao Povo que avance – Avançaremos!”. O encontro aconteceu é um momento extremamente importante para o conjunto de movimentos e entidades apoiadas por Misereor na Bahia, sentimentos como desanimo, insegurança, medo, ansiedade, preocupação, tristeza, frustação foram alguns colocados na mística inicial, mas também foram colocados sentimentos  como esperança, trabalho, união, acolhida, luta e resistência que terminaram por animar a todos na continuidade da Missão e da Luta.

O samba da Utopia terminou embalando as nossas reflexões: “Se o mundo andar para trás eu vou escrever no cartaz a palavra REBELDIA, Se a gente desanimar eu vou colher no pomar a palavra TEIMOSIA, e se acontecer afinal entrar em nosso quintal a palavra tirania. Vamos para rua gritar a palavra UTOPIA”.

Durante os dois dias tivemos momentos de acolhimento coletivo, de animação em mutirão, e sobretudo de reflexões estratégicas e importantes para a caminhada de Parceiros de Misereor na Bahia. Temas como a sustentabilidade institucional onde percebemos 04 grandes desafios: 1 – levar o tema da sustentabilidade a sério. (Desafio organizacional é preciso assumir na prática o tema, é preciso partir do desejo, da teoria para a pratica) é preciso ver este caminho não como um gasto, como perca de tempo, mas como uma semente; 2- Estabelecer redes para criação de ações conjuntas… Olhar para o lado e perceber que tem organizações que podem se “juntar” para pensar programas de captação, ou até mesmo em âmbito nacional, derrubar muros e construir pontes, para sairmos dos nossos “limites”, encontrar novos ares; 3-  Dar um 180 na forma como nos comunicarmos. Não falamos para todo mundo, nós falamos para dentro da “bolha”, e usamos um dialeto só nosso. A nossa linguagem não atinge para fora dos “muros”. Na eleição agora tivemos uma prova disto. E finalmente o quarto desafio: Pensar a longo prazo, pensar e planejar um modelo de captação institucional, e investir nele com profissionalismo.

Ruben Sirqueira da CPT Bahia nos trouxe alguns elementos da conjuntura, avaliação de fundamental importância neste momento, destacando que o processo que vem ocorrendo no Brasil na verdade não é um processo isolado, ele é um movimento mundial, e que o governo que se elegeu não é apenas fascista ele é um governo de “ocupação” com fortes características de militarismo. E que esta eleição já vinha sendo gestada há muito tempo. Reafirmou que o oprimido precisa “desvendar” a situação – ou seja, precisamos voltar a fazer formação política. Paulo Freire nunca foi tão importante como neste momento, a sua Pedagogia do Oprimido deverá ser fundamental para a reorganização do povo. Rubens abordou também questões como a segurança pessoal, o autocuidado, aconchego, medidas de segurança institucionais, cuidados com a tecnologias.

E cuidado com as tecnologias (mídias/redes digitais) foi o rico tema abordado pelo sociólogo e professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC – UFABC  que destrinchou de forma muito didática todo o processo de construção, artimanhas, e utilizações dos mais variados tipos de recursos das chamadas “mídias/redes digitais”, mostrou como este instrumental tem sido usado para derrubar democracias, gerar guerras, roubar informações, fraudar processos eleitorais, entre outros, e por fim, ficou evidente o quanto os movimentos sociais e as nossas Entidades estão longe de saber usar o mínimo destes “instrumentos”, que muitas das vezes estão em nossas mãos, apenas como “enfeites” ou perigosos aliados de nossos inimigos.  https://www.youtube.com/watch?v=Pv6T63Tfpfw

Ainda foram abordados os temas do significado da cooperação internacional, apoio de Misereor, como passar da reação para ação. Por fim, foram apresentadas sugestões de encaminhamentos, propostas de ações conjuntas, manutenção de encontros e atividades semelhantes a estes, replicação dos conteúdos nas bases das Entidades e junto as comunidades onde se atua. Investimentos e capacitações nas áreas de sustentabilidade e comunicação institucional, segurança pessoal e redes/mídias digitais, atividades conjuntas e fortalecimento do trabalho de base com o uso das novas tecnologias a favor da articulação, formação e organização.

E continuando no Samba da Utopia: “Se o mundo ficar pesado, eu vou pedir emprestado a palavra POESIA. Se o mundo emburrecer, eu vou rezar pra chover a palavra SABEDORIA. Se acontecer afinal de entrar em nosso quintal a palavra tirania. Pegue o tambor e o ganzá. Vamos pra rua gritar a palavra UTOPIA”.

Salvador (BA) 01 de novembro de 2018.

Haroldo Heleno                                                                                                                                                                                                                                                       

P/Conselho Indigenista Missionário

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