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A glória de Maria é a exaltação dos humildes

Por Carlos Mesters e Francisco Orofino


Neste domingo celebramos Nossa Senhora da Glória. A respeito de Maria, a Tradição da Igreja nos leva a afirmar: Ela já foi glorificada. Em nossa visão de fé, acolhemos a presença de Maria intensamente neste mundo, mais do que qualquer outra criatura humana. Ela é a mulher presente em nossas celebrações, mais do que qualquer outra pessoa. Maria assunta ao céu aponta o verdadeiro caminho para toda a humanidade. As leituras deste domingo nos mostram que o caminho da exaltação passa pela doação e o serviço

Leituras: Ap 11,19a; 12,1-3.6.10; Salmo 44(45); 1Cor 15,20-27a; Lc 1,39-56.

Maria morava em Nazaré, na Galileia. A tradição da Igreja diz que Isabel e Zacarias moravam em Ain Karem, na Judeia, perto de Jerusalém. De Nazaré até Ain Karem eram mais ou menos uns 150 quilômetros. Naquela época as comunicações eram bastante precárias. Como Maria ficou sabendo da gravidez de Isabel? Provavelmente é como hoje: as notícias correm de boca em boca, por meios dos amigos e parentes, dos viajantes conhecidos. Mas na Bíblia as notícias também são transmitidas por anjos. Foi assim que Maria ficou sabendo. Por meio do anjo Gabriel.

A mensagem do anjo permitiu que Maria demonstrasse concretamente o que significa a frase dela: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38). Logo após a partida do anjo ela se levanta e começa a ser serva, começa a servir. Ela sai de casa e viaja 150 Km para colocar-se a serviço de Isabel, sua parenta, uma senhora já de idade e, portanto, com uma gravidez de risco. Isabel já estava no sexto mês. Precisava mesmo de ajuda. Maria não teve dúvidas. Ela soube ler o apelo de Deus na mensagem do anjo e foi para a casa de Isabel. Naquele tempo, uma viagem a pé, de 150 Km, levava, no mínimo, cinco dias.

Ao chegar na casa de Zacarias, Maria entrou e saudou Isabel. É o encontro de duas mulheres, ambas donas de casa, ambas grávidas. Nesse encontro elas experimentam a presença do Espírito de Deus. Isabel elogiou Maria por sua fé nas palavras do anjo: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu”.

As duas mulheres souberam rezar e celebrar os fatos de suas vidas. O marido de Isabel, Zacarias, teve a mesma visão que Maria, mas não acreditou, não teve esta fé. Ficou mudo! Maria, ao contrário, respondeu à saudação de Isabel louvando a Deus com o canto do Magnificat. O título Magnificat vem da primeira palavra da antiga tradução deste cântico para o latim: “A minha alma engrandece (magnificat) o Senhor”. Este cântico mostra como Maria vivia sua fé e como ela meditava a Palavra de Deus. O hino que Maria canta está todo permeado de frases tiradas dos salmos. Parece uma colcha de retalhos, feita com frases e palavras tiradas da Bíblia. Sinal de que Maria conhecia os textos de memória! De tanto rezar e meditar a Palavra de Deus, quando Maria se punha em oração usava as palavras do próprio Deus para elaborar suas orações. O cântico mostra também que Maria tinha consciência clara da situação social e política do povo daquela época. E revela este conhecimento na oração que ela reza. Ela conhecia s pretensões dos soberbos, a ganância dos ricos e a opressão dos poderosos sobre os pobres e os pequenos. Ela se faz porta-voz das esperanças do povo, expressa sua fé no cumprimento das promessas feitas por Deus ao seu povo ao longo da caminhada histórica. O cântico de Maria é uma oração de ação de graças por Deus ser fiel à promessas feitas aos antepassados. Deus é fiel aos pobres. Por isso os pobres, na voz de Maria, sabem ser agradecidos aos grandes feitos do Senhor.

Maria ficou morando três meses na casa de Isabel. Ou seja, ficou até a criança nascer. Depois de deixar mãe e filho em segurança, Maria voltou para casa. Outros 150 Km a pé! Ser a serva do Senhor é colocar-se a serviço dos que mais precisam. A glorificação de Maria é, de fato, a exaltação do serviço simples e humilde.

Foto de Capa: ícone da Visitação de Maria a Isabel, arte de Ir. Eleanor Llanes, icm.


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