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Resistência latino-americana
Por Marcelo Barros

No Brasil e em toda a América Latina, apesar de muitas dificuldades, resiste um movimento de organização social que vem dos grupos de base da sociedade e almejam libertação, justiça e paz para todos.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta sexta-feira (6) no Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches) para debater o enfrentamento à desigualdade no mundo. Foto: Ivars Kupcis/WCC
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nesta sexta-feira (6) no Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches) para debater o enfrentamento à desigualdade no mundo. Foto: Ivars Kupcis/WCC

Há 15 dias, nas mais diferentes regiões do Brasil, o Carnaval de 2020 retratava a insatisfação de grande parte do povo simples com o governo e a realidade social e política do país. Notícias de países vizinhos como o Chile e a Colômbia mostram que multidões continuam indo às ruas para exigir mudanças estruturais na política. No Chile, os movimentos sociais querem eleger uma assembleia nacional constituinte para elaborar  nova Constituição. Nesses próximos dias, o presidente Lula que há pouco foi recebido pelo papa Francisco no Vaticano, se reuniu em Genebra com os pastores e pastoras, responsáveis pelo Conselho Mundial de Igrejas que, no mundo, congrega 349 Igrejas evangélicas e ortodoxas.

Além dos resultados práticos que tais gestos e iniciativas contém, eles sinalizam um movimento de consciência que resiste à barbárie que toma conta do país e do mundo. Infelizmente, pela ação nefasta do império dos Estados Unidos, o processo de integração continental que, na década passada, unia os países latino-americanos na direção de uma pátria grande foi destruído. No entanto, os poderosos podem matar as estruturas, mas não conseguem assassinar ideais, nem destruir os sonhos de pessoas que deram a vida pela libertação e pela vida de todos.

Há 7 anos Elizabeth é a guadiã do santuário do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez / Michele de Mello/Brasil de Fato
Há 7 anos Elizabeth é a guadiã do santuário do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez / Michele de Mello/Brasil de Fato

Nesses dias, em toda a América Latina e Caribe, comunidades e movimentos sociais celebram o sétimo aniversário da partida do presidente Hugo Chávez na Venezuela. Intelectuais e militantes sociais de todo o mundo reconhecem: no final do século XX, em um momento histórico, no qual o Socialismo estava desacreditado pela corrupção e ineficiência de governos ditos socialistas de alguns países da Europa, Hugo Chávez soube restituir a dignidade da Política como ato de amor solidário e mostrou ao mundo que é possível um socialismo de tipo novo, democrático e a partir das culturas oprimidas.

Atualmente, o governo e o povo da Venezuela continuam a resistir heroicamente. A alto custo, sobrevivem a uma guerra violenta, por parte da elite do país que perdeu privilégios e do governo norte-americano. O que está em jogo nessa luta é a dignidade de um povo que quer ter o direito de se autodeterminar. No entanto, é mais do que isso. Trata-se do sonho do Bolivarianismo. Atualmente, este consiste na integração da América Latina em uma confederação de países irmãos, a libertação de todas as formas de imperialismo e o caminhar para um novo Socialismo na linha do bem-viver indígena e conquistado através de meios democráticos.

Atualmente, cada vez mais as pessoas que têm fé em Deus ou buscam viver uma espiritualidade humana sabem: a justiça social e a realização dos direitos humanos, não só individuais, mas dos grupos e comunidades constituem uma base fundamental para a realização do projeto divino no mundo. No Brasil, a Campanha da Fraternidade de 2020 tem como tema a Fraternidade como compromisso com a Vida para todos. O apóstolo Paulo dizia que a nossa fé deve levar à realização da justiça (Carta aos romanos) e que “foi para que sejamos verdadeiramente livres que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1).

 

 

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