História das CEBs

O Portal das CEBs acredita e defede que a camihada das Comunidades Eclesiais de Base foi e está sendo contruída por muias mãos. Homens e mulheres que no dia a dia, na luz da Palavra vão construindo essa história que se dá desde década de 60.

Iiciamos esse processo histórico com trechos de um atigo a contribuição por Pe. Nelito Nonato Dornelas – MG, publicado em 2006 no site Vida Pastoral.

Acompahe na íntegra: http://www.vidapastoral.com.br/artigos/eclesiologia/a-identidade-das-cebs/

1. As origens das CEBs

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) surgiram no Brasil como um meio de evangelização que respondesse aos desafios de uma prática libertária no contexto sociopolítico dos anos da ditadura militar e, ao mesmo tempo, como uma forma de adequar as estruturas da Igreja às resoluções pastorais do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Encontraram sua cidadania eclesial na feliz expressão do Cardeal Aloísio Lorscheider: “A CEB no Brasil é Igreja — um novo modo de ser Igreja”.

Em 1979, reunidos em Puebla, os bispos latino-americanos firmaram o seguinte compromisso:

Como pastores, queremos resolutamente promover, orientar e acompanhar as comunidades eclesiais de base, de acordo com o espírito de Medellín e os critérios da Evangelii Nuntiandi; favorecer o descobrimento e a formação gradual de animadores para elas. Em especial, é preciso procurar como podem as pequenas comunidades, que se multiplicam nas periferias e zonas rurais, adaptar-se também à pastoral das grandes cidades do nosso continente” (Pb 648).

Os bispos do Brasil já haviam feito a opção pelas “comunidades de base” desde 1966, para tornar a Igreja mais viva, mais corresponsável e mais integrada. As CEBs foram consideradas atividade “urgente” pelos bispos, para renovar as paróquias. Esse plano foi sistematizado e lançado em 1968, pela Editora Vozes, na obra do Pe. Raimundo Caramuru Comunidades eclesiais de base: uma opção decisiva.

E o Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985, em Roma, afirmou:

“Sendo que a Igreja é comunhão, as novas ‘comunidades eclesiais de base’, se verdadeiramente vivem em unidade com a Igreja, são uma verdadeira expressão de comunhão e início para construir uma comunhão mais profunda. Por isso, são motivo de grande esperança para a vida da Igreja”.

O teólogo Leonardo Boff, falando sobre o termo “eclesial” das CEBs, em seu livro Eclesiogênese, diz:

“O adjetivo ‘eclesial’ é mais importante do que o substantivo ‘comunidade’ porque ele é o princípio constituinte e estruturante da comunidade. A inspiração religiosa e cristã aglutina o grupo e confere a todos os seus objetivos, também aqueles sociais e libertadores, características evangelizadoras. A consciência e a explicitação cristã constitui, portanto, a característica das CEBs e o elemento de discernimento em face de outros tipos de comunidade”.

As CEBs, fruto da eclesiologia do Vaticano II e nascidas especificamente para atualizar a Igreja e adaptá-la ao mundo atual, tiveram profundas implicações na Igreja e na sociedade.

Devido ao contexto específico da sociedade brasileira, que vivia sob o regime de exceção, com cerceamento dos direitos civis, as CEBs se tornaram uma plataforma válida e eficiente para as mudanças sociais, apresentando ainda as bases de uma nova sociedade.

Hoje, passada a euforia inicial e tomando a devida distância, podemos constatar que as CEBs estão na raiz de vários movimentos sociais e têm contribuído para a formação de muitas lideranças no campo social e político. Foram responsáveis também pela formação de lideranças leigas no interior da Igreja, que assumiram o jeito de viver e celebrar a fé de uma maneira nova. Muitas vocações religiosas e sacerdotais foram despertadas pelas CEBs, possibilitando uma nova imagem do(a) consagrado(a).

No início do cristianismo, quem tentava viver como Jesus viveu, conforme seu testemunho e ensinamento, era identificado como alguém que estava no caminho, na caminhada. Não é fora de propósito que, em grego, caminho é método. As CEBs foram capazes de criar um método novo de ler a Bíblia, de celebrar a fé e de olhar a realidade. E, identificados com este novo método, o caminho, muitos foram tombados, deram a vida, foram martirizados. A profecia e o martírio têm sido uma das marcas mais fortes das CEBs. Além disso, as CEBs têm participado do amplo movimento de promoção e restauração da ética na economia, na política, na cultura, nas relações de gênero, nas relações ecológicas etc.

Em razão dos volumosos problemas humanos, com sua orientação excludente, que o atual sistema neoliberal vem criando em níveis globais, as CEBs têm procurado formar cristãos/as “adultos/as na fé”, desejosos de uma Igreja que leve adiante as intuições e teses do Concílio Vaticano II. Em linhas gerais, querem:

— uma Igreja inserida na complexidade de seu momento histórico, com a audácia tanto de ser profética como de estar aberta a aprender dos outros, das outras tradições cristãs e das outras religiões e culturas;

— assumir os valores do mundo moderno, acolhidos pelo Concílio Vaticano II, no campo institucional, teológico e pastoral;

— reformar as estruturas de governo da Igreja, ação capaz de desencadear outras reformas;

— autonomia das conferências episcopais e mais autonomia das Igrejas locais;

— maior protagonismo dos(as) leigos(as) no âmbito dos ministérios;

— reconhecimento canônico-jurídico das CEBs como Igreja;

— cultivar uma espiritualidade libertadora, enraizada no seguimento de Jesus Cristo, comprometida com os(as) excluídos(as).

Passadas quatro gerações, as CEBs construíram sua história e hoje são conclamadas a se pronunciar sobre sua identidade.

Talvez muitas pessoas tenham a impressão de que as CEBs sejam algo do passado ou que desapareceram. Mas, na verdade, elas estão presentes e são atuantes, com grande vitalidade. Mesmo que estejamos vivendo numa conjuntura socioeclesial desafiadora, e não obstante suas evidentes contradições, este é um contexto favorável às CEBs.

2. A eclesialidade das CEBs

Depois do Concílio Vaticano II, as CEBs cresceram rapidamente pelo Brasil e pela América Latina e também por outros continentes.

D. Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana-MG, que esteve à frente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) por vários anos, assegura-nos de que pensava que toda a Igreja deveria se tornar CEBs. Ele próprio empenhou-se nesse projeto. Hoje, afirma pensar da seguinte forma: a Igreja é chamada a ser sinal do Reino de Deus para o mundo, e as CEBs são chamadas a ser um sinal para a Igreja. Ainda que minoritárias e de menor visibilidade, continuam sendo fermento do evangelho, ajudando a Igreja a não perder de vista seu ideal.

Estamos num momento de mudança, com o término do longo pontificado de João Paulo II e o início do pontificado de Bento XVI. Como se trata de uma nova fase, podemos contribuir na construção deste momento, elaborando novos projetos para a Igreja e a sociedade para os próximos anos.

Numa Igreja de CEBs e não apenas com CEBs, como tem insistido o teólogo João Batista Libanio, as CEBs providenciarão para que os fiéis descubram que o mais importante na Igreja é que participemos em todos os níveis, criando nela uma cultura de comunhão e participação. Que celebremos a nossa fé em comunidade. Que não somente o padre, a freira ou os coordenadores construam o ato religioso, mas a comunidade toda forje a própria liturgia, organize também os serviços, as pastorais, e abra caminhos novos. Então, quanto mais participativos forem seus membros, mais viva será a CEB: solidária, participativa e missionária.

Uma CEB que saia de si e queira levar para outras comunidades seu ânimo, seu entusiasmo e suas descobertas se fortalecerá e poderá ser estímulo para que as outras sejam também solidáriasparticipativas evangelizadoras.

É uma premissa para as CEBs o alerta de D. Pedro Casaldáliga: “Que assumamos nosso batismo, sejamos mais audaciosos em nossas propostas e tenhamos uma visão de totalidade, globalizante.”

 

3. Em busca do sentido

Outro fator igualmente promissor para as CEBs, ainda que não o pareça, é o surgimento do fenômeno religioso. Assistimos a uma sede enorme de religião, a uma busca do sagrado e a uma procura de sentido da vida que perpassa todos os setores e segmentos sociais.

Diante das crises existenciais e das dificuldades impostas pelo modelo de sociedade atual, muitos estão buscando, de uma forma ou de outra, meios adequados, espaços próprios onde possam sentir-se abrigados, protegidos e humanizados. Por isso, buscam proximidade com uma força maior ou com uma presença maior e percebem que essa grande força que procuram os levará, em última instância, ao encontro com a divindade, com Deus.

Essa nova situação religiosa pode, por um lado, alienar as pessoas do compromisso social e da vida comunitária, mas por outro, pode ser uma das plataformas válidas para a implantação das CEBs.

As CEBs não só aproveitam desse fator religioso para se animarem, fazerem uma experiência religiosa de qualidade, mais profunda e mais próxima desse mundo de Deus — o que lhes dá mais força e credibilidade — como também tomam consciência de que a força encontrada nessa experiência religiosa anima a vida comunitária.

Ao se engajarem na realidade local, os participantes das CEBs fazem com que essa força não termine neles mesmos, pois toda experiência religiosa de qualidade não é o término, mas uma oportunidade para saírem de si e se engajarem.

Comprovamos a verdadeira experiência de Deus quando ela nos leva a sair de nós mesmos e nos comprometer com o outro, com sua dignidade, com as causas sociais, com os pobres, com a inclusão das pessoas. Isso é experiência religiosa de qualidade, que possibilita um sentido à vida.

Outro elemento importante é a valorização da Bíblia. A Bíblia, vista como a Palavra de Deus, está cada vez mais presente na evangelização. Os leigos estão buscando estudar mais teologia. Há cursos de Teologia e de Bíblia em muitas comunidades, e a descoberta do Ofício Divino das Comunidades tem possibilitado a muitos leigos uma vivência madura de espiritualidade.

Mesmo que a conjuntura atual não favoreça a visibilidade das CEBs, elas estão aí e abrem novos horizontes e novas oportunidades; continuam animadas e atuantes, embora de uma maneira diferente dos tempos do início.

 

 

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