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Ajuri Pela Vida na Amazônia, ser Igreja samaritana em tempos de Covid
Por Luis Miguel Modino

Na Amazônia, a Igreja católica quer ser uma Igreja samaritana, que se faz presente na vida do povo, que ajuda superar as consequências de uma pandemia que na Amazônia tem provocado grande sofrimento na vida do povo. Segundo os dados da Fundação de Vigilância em Saúde do estado do Amazonas, até 16 de dezembro já foram contagiadas 188.918 pessoas, com 5.036 falecidos e uma incidência de 121,51 mortos por cada cem mil habitantes. Mas tudo indica que esses números, mesmo sendo altos, ainda não recolhem o total dos contagiados e falecidos.

Nesse contexto, a Cáritas Regional Norte 1 está desenvolvendo o Projeto Ajuri: Pela Vida na Amazônia. O propósito é reduzir riscos de infecção por Covid-19 em comunidades mais vulneráveis de 11 municípios do estado de Amazonas (Coari, Tefé, Maraã, Alvarães, Fonte Boa, Juruá, Uarini, Parintins, Itacoatiara, Silves e Itapiranga), que fazem parte das dioceses de Coari e Parintins e das prelazias de Tefé e Itacoatiara.  Nas diferentes comunidades, tanto da periferia das cidades como ribeirinhas, estão sendo entregues kits de higiene e prevenção, o que é acompanhado por palestras de orientação popular. Ao mesmo tempo, está se possibilitando o acesso à água, diante das cada vez mais comuns secas na região.

Estamos diante de um desenvolvido em parceria com a Catholic Relief Services (CRS) e com apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID-BHA), que acompanha umas 5 mil famílias, aproximadamente 25 mil pessoas, que vivem em áreas onde o impacto da Covid-19 é severo e a transmissão é generalizada. Junto com isso, 125 famílias serão beneficiadas com a implantação de sistemas sociais de acesso à água através da captação de água de chuva. Os kits que estão sendo distribuídos vão facilitar que as pessoas tenham condições de lavagem de mãos, o que deve contribuir para diminuir a contaminação na região.

Nos momentos de entrega dos kits também é realizada uma demonstração do uso devido das máscaras e de como devem ser lavadas as mãos, uma tarefa que é desenvolvida pelos educadores e educadoras da Cáritas, mas que também conta com o apoio das comissões que cada uma das comunidades tem criado, onde se fazem presentes os agentes comunitários de saúde. Em todo momento são seguidas as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Uma das educadoras que participa do projeto da Cáritas é Tallyne Machado, que destacava a alegria das famílias com as entregas dos produtos de higiene e com as orientações que foram repassadas. Trata-se de um balde de 20 litros, para o armazenamento da água, sabão, álcool em gel, água sanitária e máscara. Os produtos que estão sendo distribuídos são de extrema importância, segundo Jaime Conrado, Assessor Nacional da Cáritas Brasileira e coordenador do projeto Ajuri, destacando que no atual contexto que o mundo atravessa, essa ação democratiza o acesso a proteção.

As dioceses e prelazias onde está sendo desenvolvido o projeto estão involucrando os diferentes instrumentos que possuem. Em Coari, a rádio da diocese serviu para informar sobre a entrega dos kits e a visita dos agentes Cáritas nas comunidades mais remotas. Trata-se de comunidades onde a equipe que está realizando o projeto viajou durante 36 horas através de diferentes rios, possibilitando que famílias que lá moram possam dispor de materiais que dificilmente eles iriam conseguir de outra forma.

Os educadores também têm se enfrentado a diferentes dificuldades para poder realizar seu trabalho. Uma delas tem sido a seca de alguns rios, o que impossibilitou a chegada em algumas comunidades. Nesses casos, os moradores se deslocaram e receberam os kits e orientações no meio do rio, desde onde em canoas conseguiram levar os produtos até suas moradias.

As pessoas agradecem o esforço da Cáritas e a importância dos produtos distribuídos, que serão de grande importância nesse momento de crise, mas ao mesmo tempo afirmam sentir outras necessidades. É o caso da professora Dioneia da Silva, da comunidade Boa Fé, uma das contempladas pelo Projeto Ajuri pela Vida na Amazônia. Segundo ela, “se a instituição que está promovendo o projeto puder enviar mais materiais de limpeza e algum produto para ajudar a filtrar a água, pois a água do Rio Copeá é muito contaminada”. O relatado pela professora coloca em foco um problema cada vez mais grave na Amazônia, como é a contaminação da água.

Este projeto, mesmo sendo importante para todas as comunidades, tem uma importância decisiva para as comunidades mais distantes, que, muitas vezes, se encontram desassistidas. Nesse sentido, Adrielson Azevedo, biólogo e um dos educadores do projeto no Município de Coari, afirma que os beneficiários “são pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, mas que muitas vezes são esquecidas pelo poder público”.Em suas palavras, ele salientava que junto com a promoção da saúde, a falta de água  potável é um dos maiores problemas que enfrentam as comunidades, algo difícil de acreditar se tratando da maior bacia hidrográfica do Brasil e do mundo.

 

 

 

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