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CEBs e REDES DE COMUNIDADES
Abordagem teológico-pastoral a partir de Faustino Teixeira e do material dos Encontros Intereclesiais das CEBs
Por Daniel Menezes

Joana já não ia a uma missa há 15 anos. Certo dia, desejou voltar a participar da Igreja. Buscou a paróquia mais próxima da sua casa. Era Domingo, havia muitas pessoas. Ela sentou no banco de trás da nave da Igreja e assistiu a toda a solenidade. Não entendeu muito a homilia. No final, muitos comungaram, ela não se sentia digna e permaneceu ali sentada. Quis conversar com o Padre. Com a correria do domingo, ele pediu para agendar na secretaria. Infelizmente, final de ano, a agenda estava cheia e janeiro era férias do padre. Só conseguiu marcar para fevereiro. Mesmo assim, a secretária orientou que estava tendo mutirão de confissões naquela quarta-feira, caso ela quisesse.

De outro lado, na rua dela, convidaram-na para participar da novena de Natal. A comunidade de base a acolheu com alegria, pôde conhecer todo mundo. Após a leitura da Bíblia, as pessoas comentavam o que entenderam. Joana também deu o seu palpite, ficou muito satisfeita com os ensinamentos que tivera naquele dia. No final, havia pão de queijo, café, tapioca e até um caldo de galinha. Tudo partilhado. Foi uma festa! Joana sentiu-se profundamente acolhida, participou de toda a novena com muito entusiasmo e não quis deixar mais a comunidade. Brota a pergunta: com qual modelo de Igreja nos identificamos? O paroquial ou o comunitário? Não estaria na hora de superarmos tal modelo clerical e centralizador da paróquia?

Desafiado por estas questões e com o acúmulo de 10 anos de vida pastoral inserido nas comunidades, senti-me desafiado a pesquisar sobre as CEBs. Vi no material produzido nos Encontros Intereclesiais a fonte perfeita para tal intento. Associado à pesquisa sobre a eclesiologia das CEBs, realizada por Faustino Teixeira, concluí a dissertação de mestrado, com a orientação do saudoso Pe. João Batista Libânio, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). A dissertação foi concluída em 2010, portanto, merece atualização. Após este tempo, muita coisa mudou, tanto na vida eclesial, quanto na social e política. Observem que já ocorreram mais dois encontros Intereclesiais; tivemos a chegada do Papa Francisco; a CNBB publicou o documento 100, que tem como título: Comunidade de comunidades: uma nova paróquia e, se listarmos mais, muitas outras coisas aconteceram.

Contudo, as obras de Faustino Teixeira e os documentos produzidos na realização dos Encontros Intereclesiais permitem, ainda hoje, pensar a eclesiologia subjacente às CEBs na linha de redes de comunidades. É o que propus fazer na dissertação. Desenvolvi a pesquisa em três partes. Inicialmente situo no contexto atual da sociedade o fenômeno das redes. Em seguida, leio os escritos teológicos de Faustino Teixeira e o material dos Intereclesiais na perspectiva da rede de comunidades. E, por último, tiro as consequências pastorais de tal eclesiologia em vista da superação da estrutura paroquial pela forma de rede de comunidades. Leiam, reflitam, critiquem e utilizem as ideias que acharem pertinentes ao trabalho de base e à formação continuada das lideranças das comunidades. Espero com este trabalho devolver para as comunidades aquilo que aprendi com elas. Boa leitura!

Segue o link da dissertação: https://drive.google.com/file/d/1eKop9BqSK0_inQzH2aCzLaIy8lMk9P1I/view?usp=sharing

Foto de capa: site CEBs do Brasil

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