ColunistasNeuza Mafra

Escolhe, pois, a Vida…

“Diante de ti ponho a vida e ponho a morte. Mas tens que saber escolher.
Se escolhes matar, também morrerás. Se deixas viver, também viverás…
Então viva e deixa viver!”.

Pe. Zezinho

Quando Padre Zezinho fez a música “Em prol da vida”, interpretando o Deuteronômio 30,19, provavelmente não imaginava que ela pudesse expressar tão claramente o momento em que estamos vivendo com esta pandemia. 

No Brasil já ultrapassamos meio milhão de vidas perdidas pela Covid-19. Não são números frios. São vidas e esta totalidade deveria tocar forte na consciência para reativar nossa capacidade de indignação. Isso, sem contar com o lastro de sofrimento deixado nas famílias que foram duramente atingidas pelo vírus, cujos danos, dificilmente serão recuperados. E pensar que diante deste caos, fomos alertados pelos que respondem pela ciência, de que muitas vidas poderiam ter sido salvas, com medidas sanitárias adequadas e cuidado com a vida, por parte dos governantes. 

Uma das medidas, tida como a mais eficiente, a vacinação em massa, já deveria ter acontecido ainda em novembro do ano passado. Enquanto muitos países se apressaram em criar uma vacina e outros em adquiri-las, o governo brasileiro gastou seu tempo pensando nas “vantagens” que essa pandemia poderia lhe trazer e não se planejou, não priorizou a vida e se apequenou covardemente. De lá até hoje, quantas vidas poderiam ter sido polpadas?!

Não, não podemos achar isso normal! Também não podemos entregar estas mortes a uma mera fatalidade ou casualidade. Muito menos, vê-las como algo “natural”, uma vez que todos morreremos um dia. Os responsáveis por esta tragédia têm nomes e endereços. Ela é fruto de uma opção genocida, num país capitaneado por um genocida. É aqui que o texto do Deuteronômio nos ajuda a compreender o momento em que nos encontramos, para denunciar que no Brasil houve uma escolha sim, e a vida não foi escolhida: “Hoje tomo o céu e a terra como testemunhas contra vós: eu te propus a vida ou a morte, a bênção ou a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência, amando a Javé teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele. Porque disto depende a tua vida e o prolongamento dos teus dias” (Dt 30,19-20).  

Quando o Presidente da República compara uma pandemia desta natureza a uma “gripezinha”, está escolhendo a morte! Quando se nega a acreditar na ciência como caminho seguro em favor da vida, está escolhendo a morte! Não priorizar um programa de vacinação, foi a escolha mais evidente que este governo fez pela morte! Quando faz propaganda com investimento absurdo de um medicamento ineficaz para este vírus, está escolhendo a morte! Insuflar o povo a não usar máscara, ser contra o distanciamento social e condenar quem optou por lockdown, não deixa de ser uma escolha pela antecipação da morte! A música “em prol da vida” faz este apelo: “Não mais o veneno que se joga na mente do povo sofredor…”, isso lembra bem o veneno jogado nas mídias, através de notícias falsas, levando uma boa parcela da população a não acreditar ou a ter medo da vacina. O que foi isso, senão uma escolha pela morte? Imitar levianamente alguém com falta de ar, para minimizar a falta de oxigênio nos hospitais, não nos parece diabólico?

A recente instalação da CPI sobre a Covid tem nos mostrado o descaso com a vida por parte dos que deveriam defendê-la. A Covid chegou a ser uma moeda de troca, da qual muitos tiraram vantagens e proveitos políticos e pessoais: o lucro acima de tudo! Mais uma vez, a escolha foi pela morte. Durante esta pandemia, não tivemos sequer um ato vindo do Presidente da República, em defesa da vida, ou solidarizando-se com as famílias enlutadas.  

O Senhor coloca diante de nós, a vida e a morte; o bem e o mal; a felicidade e a desgraça. Embora Ele nos oriente a escolher a VIDA, nos deixa livres para fazer esta escolha. Viva, e deixa viver!

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