Gotas de Conjuntura

Gotas de Conjuntura #03 | Maio.2022

Cardeais de uma Igreja em saída?

Francisco anunciou 21 novos cardeais no último final de semana de maio. Destes, 16 são eleitores. Ou seja, estes estariam aptos a participar da eleição (que demore muito!) de um futuro Papa.

Dois deles são bispos de importantes dioceses brasileiras. Manaus está no coração da Amazônia, e Brasília é a capital federal. Na atual conjuntura nacional, são sede episcopais muito estratégicas, simbolicamente relevantes.

Com seis cardeais eleitores, que papel terão os brasileiros no próximo conclave? Só o futuro dirá. Vale notar que o arcebispo de Manaus tem sido profético na defesa dos Povos Originários. E foi voz dos que não podiam sequer respirar durante a crise causada pela falta de oxigênio no Amazonas, no momento mais trágico da Pandemia.

Esse consistório é estratégico para o futuro da Igreja. Com os novos cardeais, nosso atual Pontífice se aproxima de ter nomeado dois terços dos cardeais eleitores de um próximo conclave. Um futuro Bispo de Roma que assuma a linha de Francisco teria condições melhores para aprofundar a reforma da Igreja desencadeada pelo Papa?

Pesquisas eleitorais:

Lula ampliou sua vantagem e poderia até vencer as eleições no primeiro turno. Mas ainda falta muito tempo até outubro e oficialmente a campanha ainda não começou. Enquanto uns comemoram, outros se preocupam com o “salto alto”. Resta saber se os petistas terão a perspicácia de não se deixar levar por medições ainda prematuras.

O “Deep State” Tabajara:

Com um grupo de generais anunciando um programa chamado BR 35, fica evidente o que uma casta de altos oficiais das forças armadas quer para o Brasil: reconstituir o Poder Moderador, uma excrescência dos tempos do Império. Agora, trata-se fazer isso em uma República que se pretende democrática, em pleno século XXI.

Além de quererem retirar das mãos de um futuro presidente o direito de chefiar o país, criando uma espécie de “governo dentro do governo”, estes militares se apresentam como solução para um problema que eles mesmos criaram: o atual governante do Brasil. Querem recriar nos trópicos uma estrutura de Estado similar à que conduz a cozinha do Tio Sam, na América Norte. Lá, eles têm o Pentágono, a CIA, o NSA e o FBI. E aqui, o que teríamos?

Mas não basta apenas propor a legalização da tutela da democracia pelo estamento militar. Em linhas gerais, querem cobrar pelos serviços públicos de saúde do SUS, estabelecer mensalidades nas universidades públicas, a “desideologização dos currículos” e o enquadramento dos intelectuais…

Quem pagaria a conta do absurdo? Ele mesmo, o povo brasileiro por algo que mistura ultraliberalismo, neofascismo, autoritarismo e censura. Alguém perguntou aos trabalhadores o que eles acham dessa barbaridade?

Se ocupante do Planalto se reeleger, não precisarão de muito esforço para implementar este circo dos horrores. Em caso de outro vencedor, se apresentam com a “solução” para o país. Resta saber se o futuro presidente, derrotando o atual, terá condições de se impor e de não se deixar emparedar pelo consórcio de generais.


No Brasil e na Igreja em escala global vivemos tempos decisivos. Nesta época histórica presenciamos acontecimentos que decisivamente poderão determinar o futuro do país e do catolicismo no restante do século.

Mais do que testemunhas, sejamos protagonistas da história. Precisamos encantar a política para reencantar o Povo de Deus.

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