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No compasso das semanas sociais brasileiras

“As Semanas Sociais apontam para a necessidade de construção de

uma sociedade includente, com respeito à diversidade, pautada pelos princípios

éticos. Elas assumem o compromisso com novos valores, com novas

formas de convivência entre os seres humanos e com todos os seres da terra

e uma nova consciência de pertencimento à comunidade de vida”.

Pe. Nelito Dornelas

Estamos em processo da edição da 6ª Semana Social Brasileira pensada para o período 2020-2021. E por que é importante fazer memória deste evento que marca décadas de caminhada? As Semanas Sociais estão muito relacionadas à ideia de “mutirão”, que por sua vez, significa o trabalho coletivo, agregador, feito em “vista de”… Os mutirões das Semanas Sociais foram sempre em vista de um novo país.

A 1ª Semana Social Brasileira – SSB – surgiu da vontade de comemorar o centenário da Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão 13, para tratar da responsabilidade da Igreja na área social. Assim, em 1991, a CNBB assumiu o compromisso convidar as comunidades para realizar naquele ano a 1ª Semana Social sobre o “Mundo do Trabalho: desafios e perspectivas”. O assunto em questão era a situação do trabalho da classe operária, frente às novas tecnologias. Diante dos surpreendentes frutos, foi articulada então a 2ª Semana Social Brasileira com o tema: “Brasil, alternativas e protagonistas”. A discussão era pautar o Brasil que queríamos, e aconteceu entre os anos 1993-1994. Este tema influenciou fortemente o amadurecimento sobre a cidadania nas comunidades.

O mutirão cresceu, já não era apenas uma iniciativa da Igreja católica, das comunidades e pastorais sociais. Muitos outros Movimentos e Igrejas se somaram na luta por um novo Brasil, além de uma significativa participação popular, excluídos e excluídas da sociedade, criando um chão favorável para a 3ª SSB. Esta semana inspirou-se na proximidade do grande Jubileu do nascimento de Jesus Cristo,     que aconteceria no ano 2000, com o projeto de evangelização Rumo ao Terceiro Milênio, e teve por tema: “Resgate das dívidas sociais: Justiça e solidariedade na construção de uma sociedade democrática”. Um processo vivido entre os anos 1997-1999 que nos permitiu maior proximidade com as dívidas interna e externa do Brasil e ao mesmo tempo, monitorá-las.

No embalo da mobilização social, surge a 4ª SSB nos anos de 2003-2005. O tema: “Mutirão por um novo Brasil: articulação das forças sociais para a construção do Brasil que queremos”, tinha a finalidade de promover um grande debate sobre o país que tínhamos e projetar o país que queríamos. Foi significativamente marcada pelo olhar socioambiental. Tanto que um fruto desta semana foi a criação do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental.

Entre os anos 2011 e 2013 tivemos a 5ª SSB, que promoveu o debate voltado para o “Novo Estado: Caminho para uma Nova Sociedade do Bem Viver”. Foi um tema ousado, além de olhar para o Estado que tínhamos e o Estado que queríamos, era urgente pensar: o Estado, para quê e para quem? O sonho da sociedade do Bem Viver buscou raízes na prática dos povos indígenas das regiões andinas, de modo que o convite à reflexão sobre o Bem Viver teve como centro a dimensão da sustentabilidade planetária: viver em harmonia consigo mesmo, com as outras pessoas, com os diferentes grupos, com a Pachamama, Mãe Terra e seus filhos e filhas, as outras espécies e com as realidades espirituais.

E entre o ano passado (2020) e este ano de 2021, já estamos na articulação da 6ª SSB que tem como tema: “Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho”. Apesar da pandemia, esta edição avança, inspirada nos diálogos do Papa Francisco com os Movimentos Populares na luta por Terra, Teto e Trabalho, na tentativa de apontar soluções para as questões sociais em geral, mas com prioridade aos excluídos e marginalizados pela sociedade, a partir dos eixos: democracia, soberania e economia.

Como está o compasso das CEBs com a 6ª Semana Social Brasileira?

 

 

 

 

 

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