ColunistasFrei Marcos Sassatelli, op

O Ser humano no mundo

 O que é o Ser humano? De onde ele vem? Para onde ele vai? São estas as perguntas fundamentais (indagações) que todos e todas nós nos colocamos. 

Podemos dizer que de imediato, o Ser humano percebe-se (descobre-se) a si mesmo como um “ser-no-mundo” (“ser mundano”: parte integrante do mundo). Enquanto tal, percebe-se também como um “ser-no-espaço” e um  “ser-no-tempo”. A “mundanidade” – “espacialidade” e “temporalidade” – é a condição existencial do Ser humano e de todos os seres. O que significa, porém, para o Ser humano “ser-no-mundo” (“ser-mundo”), “ser-no-espaço” (“ser-espaço”) e “ser-no-tempo” (“ser-tempo”)? 

Por “mundo” entendemos a Terra (a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum) com tudo o que nela existe, ou o Universo com tudo o que nele existe, incluindo a Terra. (Hoje, hipoteticamente, fala-se até de “Multiverso”: um conjunto de universos possíveis, incluindo o nosso, ou de “Multiversos”).

Seja num caso como no outro, a palavra “mundo” tem vários significados, mas todos fazem referência a uma totalidade

– “A totalidade das coisas existentes (qualquer que seja o significado de existência) e neste sentido a palavra emprega-se sem adjetivos; 

– A totalidade de um campo ou de mais campos de investigação (de atividade) ou de relações como quando se diz: ‘mundo físico’ ou ‘mundo histórico’ ou ‘mundo artístico’ ou ‘mundo dos negócios’ ou também ‘mundo sensível’, isto é, atingível pelos órgãos sensoriais ou ‘mundo intelectual’, isto é, atingível pelos instrumentos intelectuais. Neste sentido fala-se também de ‘mundo ambiente’ para indicar o conjunto das relações de um ser vivente com as coisas que o circundam ou a situação em que se encontra; mas a palavra não tem significado diverso de ambiente; 

– A totalidade de uma cultura como quando se diz ‘mundo antigo’ ou ‘mundo moderno’ ou ‘mundo primitivo’ ou ‘mundo civil’; 

– Uma totalidade geográfica como quando se diz ‘novo mundo’ (…) ou ‘velho mundo’ (…)” (Abbagnano, N. Mundo. Em: Dicionário de Filosofia. Mestre Jou, São Paulo, 19822, p. 657. 

Os significados da palavra “mundo” apresentados e outros podem ser reduzidos aos dois primeiros: o mundo como totalidade de tudo o que existe (na Terra ou no Universo) e o mundo como totalidade particular ou totalidade de campo: a totalidade do mundo físico, a totalidade do mundo biológico, a totalidade do mundo humano, etc. Uma totalidade cultural ou uma totalidade geográfica é também uma totalidade particular ou de campo. As totalidades particulares ou de campo são as mais diversas e – quanto ao conteúdo – podem ser mais ou menos abrangentes. 

Por exemplo, o “mundo humano” – como vimos – é uma totalidade particular ou de campo, mas, no mundo humano, temos totalidades mais particulares ainda como o “mundo social” (sócio-econômico, sócio-político, sócio-ecológico, sócio-cultural, sócio-religioso) e o “mundo individual” (corpóreo, bio-psíquico, espiritual ou pessoal) com suas relações sociais. 

Portanto, para o Ser humano – enquanto totalidade particular ou de campo – “ser-no-mundo”, “ser-mundo” (“ser-na-Terra”, “ser-Terra” ou “ser-no-Universo”, “ser-Universo”), significa ser na totalidade das coisas existentes, ser parte integrante dessa totalidade

Como já dissemos, o mundo, por ser uma realidade concreta, é uma realidade espacial e temporal. A “espacialidade” e a “temporalidade” fazem parte da “mundanidade” e, por isso, são também constitutivas do Ser humano e de todos os seres existentes.

O que significa, pois, “ser-no-espaço” (“ser-espaço”) e “ser-no-tempo” (“ser-tempo”)? Para o Ser humano e todos os seres, “ser-no-espaço” (“ser-espaço”) significa ser em todos os espaços de sua existência; “ser-no-tempo” (“ser-tempo”) significa ser em todos os tempos de sua existência.

Por fim, o mundo como a totalidade de tudo o que existe (na Terra ou no Universo), é uma realidade objetiva, concreta; tem uma constituição ou estrutura com consistência própria, com funcionamento próprio e com sentido ou valor próprio, independentemente da consciência do Ser humano. A totalidade material e orgânica do mundo existe, funciona e tem sentido. “antes” (do ponto de vista lógico e não necessariamente cronológico) do Ser humano ter consciência de “ser-no-mundo”. O Ser humano no mundo, por ser racional, pode (como veremos) dar um novo sentido ao mundo ou desrespeitar e “profanar” o sentido que o mundo já tem

No próximo artigo refletiremos sobre o Ser humano como um “ser-com-o-mundo” (“ser-com-o-espaço” e “ser-com-o-tempo”).

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