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Marcelo Barros faz um rápido balanço da viagem do Papa ao Chile

Na visita que o papa Francisco realizou ao ao Chile de 15 a 18 de janeiro de 2018 conversou com autoridades, visitou os mapuches que reivindicam a terra grilada por grandes empresas e reforçou sua marca de Igreja em Saída

O papa Francisco encerrou a sua visita ao Chile e viajou ao Peru onde passará mais três dias.

A respeito do Chile, o papa sabia que encontraria um país dentre os considerados menos religiosos da América do Sul; Ao mesmo tempo, com uma Igreja diferente daquela que nos anos 70 e 80 tinha bispos e padres que enfrentavam a feroz ditadura de Pinochet.

Como sempre, o papa se destacou por sua simplicidade, sua proximidade afetuosa das pessoas e por dar um sinal de que fala com o coração. Defendeu o direito dos índios mapuche a suas terras ancestrais e a manter sua cultura própria. No seu encontro com bispos, padres e religiosos, denunciou o clericalismo como um grande pecado e deixou claro que sabe: a hierarquia católica do Chile continua muito distante do povo e o clero absolutamente isolado dos leigos.

O papa tem consciência de que tanto no Chile como na maioria dos países (essa é a realidade do Brasil), ele fala como João Batista no deserto. Ele mesmo no encontro do final do ano com os cardeais e funcionários da curia em Roma, lembrou as palavras de um antigo cardeal que dizia: Querer reformar alguma coisa no Vaticano é como pretender limpar a pirâmide do Egito com uma escova de dentes…

Em uma viagem como essa, ele viaja como pastor, mas também como chefe de Estado. Fala de paz e de não-violência, mas o povo o vê cercado de milhares de militares armados até os dentes e prontos a atirar em quem der qualquer sinal de perigo. O papa fala em diálogo, mas o Vaticano continua nomeando bispos sem levar em conta as Igrejas locais. Pobre papa Francisco que tem de escovar pirâmides do Egito simplesmente para ser fiel ao Evangelho de Jesus.

Que a figura do papa seja desmitizada me parece bom; Que o papa renuncie a concentrar o poder supremo como era antes, certamente é melhor. No entanto, vivemos em um mundo de Trump e Temer, Jong Mo da Coreia do Norte e Macri da Argentina, Pinera do Chile e outros políticos que ninguém garante a honestidade, e quando se acha que é honesto se pode duvidar da sanidade mental ou da idoneidade ética. O papa Francisco é o único líder que pode ter credibilidade. Por isso, temos de apoiá-lo e ajudá-lo em sua tarefa, mesmo que pareça limpar uma pirâmide do Egito com uma escova de dentes.

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