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Setor São Mateus, na Cidade de São Paulo, lançou material para grupos que querem trabalhar com População em situação de Rua

Podcast Outro Papo de Igreja, do Serviço Teológico Pastoral

Na sociedade do consumo e do descarte humano, um grupo marginalizado e invisibilizado, têm seus direitos ainda mais violados de forma permanente pelo poder público. Além da violência sofrida pela sociedade. Estamos falando da População em situação de Rua, esse público vem crescendo a cada dia com altos índices de desemprego dos últimos dois anos.

A profecia se faz presente através de grupos que, seguindo os passos de Francisco, decidem ir ao encontro das pessoas que vivem em situação de rua.

Disponibilizamos aqui o material para Grupo de Reflexão ou Grupo de Rua que tem o intuito de preparar os grupos que desejam acolher à luz do Evangelho esses marginalizados. Esse material foi preparado pelo Padre Francisco Reginaldo Henrique de Miranda, Paróquia Santíssima Trindade – Setor São Mateus – Região Belém – Cidade de São Paulo.

Segue o material na íntegra!  

GRUPO DE REFLEXÃO OU GRUPO DE RUA  

PRIMEIRA PARTE – ORIENTAÇÕES GERAIS PARA PARTICIPANTES DE GRUPOS DE REFLEXÃO OU GRUPO DE RUA

  1. A IDENTIDADE E O OBJETIVO DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

1.1. O que é um Grupo de Reflexão ou grupo de Rua?

  • É um grupo de cristãos e cristãs que se reúnem nas próprias casas, para rezar, refletir, partilhar, à luz da Palavra de Deus, a realidade que os cerca, com o compromisso de ações práticas para a transformação dessa realidade.
  • É um grupo de pessoas que querem fazer a experiência do encontro com o Deus do amor e da vida, pessoas que querem aprender a prática da oração em comum, da vivência fraterna, da vida cristã.
  • É um espaço onde as pessoas se encontram para partilhar a vida, a fé, a oração, na ligação entre Bíblia e vida, Revelação e realidade, Palavra de Deus e ação humana.
  • É um local em que as pessoas são valorizadas, conhecidas pelo nome, onde as pessoas se sentem Igreja, onde fazem a experiência de se saberem iguais, filhos e filhas do mesmo Pai.
  • É um berço de carinho e ternura para com o povo simples, onde as pessoas mais carentes poderão ser atendidas em suas mais urgentes necessidades.
  • É uma manifestação de resistência profética, de construção da cidadania, de descoberta de novos caminhos de vida cristã e ação social, de solidariedade e de testemunho de vida.
  • É um lugar onde se partilha e se reflete a vida à luz da Palavra de Deus, em vista de uma ação  transformadora da realidade.
  • É um meio privilegiado de evangelização e de valorização da vida.
  • É um canteiro onde surgem novas lideranças, carismas e ministérios, o chão de onde brotam as pastorais.
  • É o chão de nossa ação pastoral e evangelizadora.
  • É um espaço onde se busca ser Igreja conforme o modelo das primeiras comunidades cristãs.
  • É um instrumento que favorece um novo jeito de ser Igreja: uma Igreja que vai ao encontro das pessoas; uma Igreja que acontece nas casas, nos condomínios, nas ruas; uma Igreja que nasce do povo; uma Igreja que liga Palavra, fé e vida.
  • É um meio privilegiado de evangelização no mundo urbano.
  • É um modo de catequese permanente com adultos, crianças e jovens, um espaço onde todos aprendem e ensinam.
  • É um sinal da vitalidade da Igreja e de sua irradiação missionária.
  • É um espaço onde as pessoas descobrem seus dons e carismas, para coloca-los a serviço da comunidade, através dos diversos ministérios, pastorais, organismos, etc.
  • É um caminho para a formação e o fortalecimento de comunidades eclesiais de base, as quais constituem a paróquia como “rede de comunidades”.
  • É um dos pontos de partida para uma nova sociedade de justiça, solidariedade, igualdade.
  • É um grupo que se identifica pela prática do compromisso, da partilha, da solidariedade, da ligação entre fé e vida e pela celebração da própria vida em relação com a vida de Jesus Cristo e de sua proposta de um Reino de paz e justiça.  

1.2. O que queremos com os Grupos de Reflexão? Quais são os nossos objetivos?

  • Contribuir para uma renovação da consciência da identidade e da missão da Igreja.
  • Favorecer aos fiéis a oportunidade de viverem a simplicidade da vida cristã.
  • Dar vez e voz a todas as pessoas, sobretudo aos pequenos.
  • Favorecer as pessoas, sobretudo as famílias vizinhas, que se conheçam e criem laços de amizade e solidariedade.
  • Descobrir a revelação de Deus no cotidiano de nossa realidade.
  • Despertar para a experiência afetiva de Deus.
  • Criar espaço para que o povo possa se manifestar e se expressar na partilha de sua vida de fé, na meditação da Palavra de Deus.
  • Ajudar o povo a beber de sua própria sabedoria.
  • Evangelizar, a exemplo de Jesus, pela Palavra de Deus e pelo testemunho.
  • Manter viva e perseverante a fidelidade das comunidades “aos ensinamentos dos apóstolos, à comunhão fraterna, à partilha e às orações”, tal como foi descrito em Atos 2,42-47.
  • Conscientizar sobre o que é ser Igreja.
  • Tornar a Palavra de Deus mais conhecida.
  • Possibilitar a leitura da Bíblia a partir da realidade.
  • Motivar o encontro das pessoas, para criar laços de união, de amizade, fraternidade e solidariedade entre famílias e vizinhos.
  • Animar as pessoas para a vida comunitária a exemplo da Santíssima Trindade.
  • Superar o anonimato, o individualismo, a divisão, o egoísmo, o espírito de competição e a ganância que o sistema produz nas pessoas.
  • Fazer das paróquias uma “rede de comunidades” a serviço da vida.
  • Despertar e exercitar a consciência da cidadania cristã.
  • Provocar a consciência crítica diante da realidade social, política, econômica, ideológica.
  • Estimular as pessoas para a responsabilidade de cada qual na transformação da realidade, como protagonistas da nova sociedade.
  • Ajudar o povo a conscientizar-se de seus próprios direitos, a se organizar e a lutar por eles.
  • Despertar e formar lideranças para as lutas do povo, nas organizações populares, nas pastorais sociais, movimentos populares, sindicatos, ONGs, partidos políticos, conselhos comunitários…
  • Por fim, formar e construir verdadeiras comunidades comprometidas como Projeto de Jesus, isto é:

* Comunidades onde todos participem, tenham voz e vez

* Onde todos os serviços são repartidos e assumidos por todos e entre todos.

* Onde se celebra a fé e a vida.

* Onde há partilha, entre-ajuda, igualdade, corresponsabilidade, testemunho.

* Onde “todos tenham vida e vida plena.”

1.4. Por que acreditar nos Grupos de Reflexão?

  • A Bíblia aponta para:

* a escolha e o preparo de lideranças; a formação de pequenos grupos; a organização do povo em vista da libertação, da promoção e defesa da vida; a luta pelo Reino de Deus.

  • Diante da escravidão do seu povo no Egito, Deus envia Moisés, Aarão, Míriam e Josué para:

* Organizar o povo e libertá-lo das garras do Faraó (Ex 3, 7-12).

* Conquistar a terra prometida e construir uma nova sociedade (Js 1, 1-9; 4, 14-17).

  • Jetro aconselha Moisés a organizar o povo em grupos e a repartir a liderança (Ex 18,13-27).
  • Jesus prepara os continuadores de sua missão, organizando, formando e enviando o grupo dos 12 apóstolos (Mt 10,1-39).
  • Para saciar a fome da multidão, Jesus orienta para a organização em grupos e a partilha (Mc 6, 30-44).
  • Os primeiros cristãos “viviam unidos e tinham tudo em comum” (At 2, 42-47; 4,32-37).
  • Os primeiros cristãos viviam em comunidade e, em comunidade, perseveravam: na doutrina dos apóstolos; nas reuniões em comum; na fração do pão; nas orações. 

1.5. Por que os Grupos de Reflexão acontecem nas casas?

  • Grandes acontecimentos da salvação aconteceram nas casas. Maria recebe o anúncio do Salvador em sua casa (Lc 1,25ss). Jesus manda celebrar a Páscoa numa casa (Mt 26,28). O Pentecostes aconteceu em uma casa (At 1). A Igreja primitiva evangelizava nas casas: “de casa em casa não cessavam de ensinar”

(At 5,42; 20,20). A maior e mais perfeita revelação de Deus se dará no céu, na casa do Pai, onde “há muitas moradas” (Jo 14,2).

  • A casa foi lugar fundamental na missão de Jesus (Mc 2,1; 7,14-27; 9,33; 10,2-12; Mt 13,36).
  • Jesus entrou em diversas casas: da sogra de Pedro, de Zaqueu, de Marta e Maria, do fariseu Simão, dos pais de Talita, do chefe da sinagoga, de Simão Pedro e André, etc.
  • Jesus visitava as famílias, entrava em suas casas, fazia refeições nas casas do povo, inclusive na casa de pecadores (Levi e Zaqueu, por exemplo). Os evangelhos relatam 18 parábolas sobre a vida doméstica, valorizando a evangelização nas casas. A primeira evangelização se deu nas casas, abrindo-se assim para o mundo. No Templo, as pessoas ficavam de fora, havia exclusão.
  • Jesus profetiza contra os que exploram as casas das viúvas (Mt 12,40).
  • Ao mandar os discípulos em missão, Jesus diz para eles entrarem nas casas e levarem a paz para as casas (Lc 10,5).
  • Jesus mandava entrar nas casas para evangelizar (Mc 6,10).
  • Maria e os apóstolos estavam em uma casa, quando aconteceu a descida solene do Espírito Santo, no Pentecostes (Atos 1, 13-14).
  • A casa era o lugar onde se encontrava a Igreja dos primeiros tempos.
  • Os apóstolos evangelizavam nas casas.
  • Os primeiros cristãos e cristãs se reuniam nas casas para rezar, ensinar, refletir, partilhar o pão, celebrar (At 2, 42-47).
  • Por mais de cem anos, quando não havia igrejas ou templos, foi à casa que moldou a vida da comunidade cristã.
  • Em diversas casas, acontecia a Igreja primitiva: de Lídia, da mãe de João Marcos, de Cornélio, de Crispo, de Priscila e Áquila, etc. A
  • A Igreja iniciou com o relacionamento interpessoal, íntimo e intenso dos membros das famílias.
  • A casa é o espaço da Igreja doméstica.

1.6. Que relação existe entre o Ministério da Visitação e da Bênção e os  Grupos de Reflexão?

  • Porque a casa é o lugar maior da revelação de Deus e da salvação do ser humano, o objetivo primeiro da visitação das casas é a criação de Grupos de Reflexão.
  • A visita é um gesto profundo, é sinal de consideração, de amizade, de sensibilidade humana, de respeito e carinho pelas pessoas.
  • A visitação, para chegar a formar Grupos de Reflexão, deve ser evangelizadora, repetida, recomeçada, até que se alcance o objetivo.
  • Ninguém vai visitar casas e benzê-las, sem o compromisso de continuar evangelizando-as, através dos Grupos de Reflexão.
  1. FUNDAMENTAÇÃO TEOLÓGICO-PASTORAL DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

2.1. Fundamentação bíblica

  1. a) Moisés, no deserto, agrupou o povo em tribos, isto é, em grupos, em comunidades. Assim o tribalismo vem a ser um jeito de superar o egoísmo e o isolamento. As doze tribos representam a unidade. O que fundamenta a tribo é a união, a vida em comum, a partilha. Trata-se da busca do ideal de uma sociedade igualitária, segundo o projeto de Deus. Respeitadas as devidas proporções, nossos grupos e comunidades também procuram inspirar-se nesta experiência do Povo de Deus, quando ensaiam, no cotidiano da vida, o ideal de uma nova sociedade caracterizada por relações fraternas e igualitárias, pela solidariedade, a partilha e corresponsabilidade nas decisões e na entre-ajuda.
  2. b) Toda a história do povo de Israel está marcada pelo sentido da vivência de comunidade. Nenhuma pessoa se entende como gente fora da vida em comunidade. Cada membro do povo se considera um representante de todo o povo e assume em si mesmo, em seus compromissos de vida, todas as grandezas e fraquezas do povo.
  3. c) Jesus segue as tradições de seu povo. Viveu 30 anos no grupo familiar de Nazaré, onde crescia em idade, sabedoria e graça. Nesse grupo se deu a inculturação do Filho de Deus. Através do trabalho, da vida em família, da vivência comunitária, da freqüência à sinagoga, da participação na vida de seu povo, Jesus aprendeu a ser humano, foi crescendo em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos seres humanos e preparando-se para a sua missão.
  4. d) Logo no início de sua vida pública, depois de ungido pelo Espírito Santo no seu batismo, Jesus constitui o grupo dos Doze Apóstolos e, através deste grupo, que é a semente da Igreja, dá continuidade à evangelização. Jesus evangeliza através de um grupo (Mc 1,9-20; Mt 10,1-33; Mt 28,16-20, Lc 10).
  5. Ao despedir-se deste mundo, Jesus não deixa um livro escrito, nem um sistema organizado de evangelização, mas deixa um grupo de pessoas – os Doze e outros discípulos e discípulas –, com a missão de evangelizar.
  1. e) Na Parábola da Videira e dos Ramos, Jesus mostra que ninguém faz nada sozinho, isolado. Um ramo separado do tronco seca, morre. Juntos, ligados uns com os outros e no tronco, os ramos produzem muitos frutos: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,1-8).
  2. f) Pedro e os Doze, Maria, mãe de Jesus, os parentes de Jesus, seus discípulos e discípulas, estão reunidos quando recebem o Espírito Santo, no dia de Pentecostes, e passam então a anunciar em grupo o Evangelho do Mestre, confirmando assim o jeito de Jesus evangelizar (At 2,14).
  3. g) Nos Atos dos Apóstolos (2,42-47), temos o relato de um grupo bem formado: “perseveravam na doutrina dos Apóstolos… viviam unidos e tinham tudo em comum… unidos de coração… vendiam seus bens e repartiam entre si… louvavam a Deus e cativaram a simpatia do povo”.
  4. h) O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, segue a mesma metodologia evangelizadora de Jesus, isto é, forma grupos, cria comunidades, nas quais deixa coordenadores bem formados para animar os grupos. Paulo formou evangelizadores e fundou grupos de evangelização. Tais grupos são conhecidos como “Igreja doméstica”. Paulo usa muito a expressão: “a Igreja que se reúne em tua casa” (1Cor 16,19).
  5. i) Nos primeiros tempos da Igreja, os encontros se realizavam nas casas, como grupos de oração e reflexão (1Cor 16,19; Rom 16,3-5; Col 4,15; Atos 2,46). As casas são o lugar de reunião, visto que o Templo fechou suas portas a Jesus, aos Doze e a Paulo. A casa de Deus não é mais, para eles, um templo, uma construção, mas é o próprio grupo que se reúne. Este grupo é a Igreja de Deus. A Igreja começou com o relacionamento das famílias entre si.
  6. j) Este conjunto de grupos reunidos nas casas forma a chamada “Igreja local”, isto é, o conjunto de vários grupos de uma cidade ou região (At 13,1; 1Cor 16,19; 2

Cor 8,1; Ap 1,4; 2,1.8.12.18; 3,1.7.14). A Igreja local (que podemos hoje chamar de rede de comunidades, paróquia ou diocese, conforme o nível a que nos referimos) é sempre um conjunto de grupos. Por sua vez, a comunhão das Igrejas locais forma a Igreja Universal. Portanto, os grupos não são isolados. Estão unidos na mesma e única Igreja de Cristo. A Igreja Universal é o Corpo de Cristo, formado de membros, isto é, de grupos. O Corpo de Cristo, a Igreja, é formada a partir de três dimensões: grupos, Igreja local (CEB’s, paróquia e diocese) e Igreja Universal.

2.2. Fundamentação trinitária

  1. a) O Deus dos cristãos é comunidade. Nosso Deus, em seu mistério trinitário, é uma comunidade, uma família, uma equipe, um grupo. Deus é comunhão, convive e age em grupo eternamente. Deus decide tudo em grupo, em equipe, porque tudo o que a Trindade Santa faz é comum às Três Pessoas Divinas. Deus não vive separado, não é solitário, não é isolado, não é individualista. Deus é “Eu-Tu-Nós”. Esta unidade de Deus, sua vida em comunhão é o fundamento da Igreja, uma vez que Jesus pediu: “Pai, que todos sejam um” (Jo 17, 21).
  2. b) Deus, que é comunhão, criou o homem e a mulher para a comunhão. “Desde o início a pessoa humana é, por natureza, um ser social” (Gaudium et Spes 12).

Deus vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal. Ao criar o homem e a mulher, inscreve neles a capacidade de comunhão (Familiaris Consortio 11). Ser imagem e semelhança de Deus é viver em comunidade, em grupo, em comunhão, é refletir na terra a realidade da vida trinitária de Deus no céu: “assim na terra como no céu”.

  1. c) Aprouve a Deus chamar os homens e mulheres à participação de uma vida e assim constituí-los num só povo, num corpo (Ad Gentes 2). Deus é modelo daquilo que nós devemos ser como Igreja e como sociedade (Catequese Renovada 202). Cada Pessoa Divina, na Trindade, não existe para si, mas para as outras duas, com as outras duas, nas outras duas. O que é próprio das Pessoas Divinas é a comunhão, o dom de si, o relacionar-se. Na Trindade, Deus vive uma vida onde tudo é comum. O viver de Deus é um “ser-em-equipe”, em grupo. Assim deverá ser a Igreja, povo de Deus. Daí a nossa preocupação com a “unidade na diversidade” e o nosso compromisso com uma vida em comunhão, em equipe…
  2. d) A maior glória da Trindade é vivermos em comunhão, em grupo, como ela vive.

A existência cristã é uma “existência trinitária”. Formar Grupos de Reflexão é um compromisso trinitário (Catecismo da Igreja Católica 253-256).

  1. e) A Igreja, que brota da Trindade, será uma comunidade de diálogo, de grupo, de união, de participação. Será, portanto, uma Igreja ministerial, ecumênica, solidária, transformadora. Viver em comunhão, em grupo, é a glória de Deus e a salvação da pessoa humana. “Que todos sejam um como nós somos um” (Jo 17, 21). A Trindade é a gramática na qual se lê toda a história da salvação. A Trindade é a gramática da vida em grupo, em comunidade. A glória de Deus está na nossa comunhão, nos Grupos de Reflexão, de oração e de vivência.
  2. f) Quem se isola, não vive a dimensão trinitária da fé, coloca a Trindade no exílio e vive o monoteísmo do Antigo Testamento, não o monoteísmo trinitário do Novo Testamento. Nossos Grupos de Reflexão devem ser o espelho da Trindade, um jeito humano de viver a vida da Trindade, em comunhão e participação.
  3. g) O cristão vive em comunidade sob a ação do Espírito Santo, princípio invisível de unidade e comunhão, como também da unidade e variedade de estados de vida, ministérios e carismas. (Puebla 638).

2.3. Fundamentação eclesiológica

  1. a) A Igreja é o povo de Deus, que manifesta sua vida de comunhão e serviço evangelizador em diversos níveis e sob diversas formas (Puebla 618).
  2. b) Em torno do bispo e em perfeita comunhão com ele, devem florescer as paróquias e as comunidades cristãs, como células vivas e pujantes da vida eclesial (Documento de Santo Domingo 55).
  1. c) A paróquia, “comunidade de comunidades”, família de Deus, fraternidade animada pelo Espírito de Unidade, é a Igreja que se encontra entre as casas dos seres humanos; é uma rede de comunidades (SD 58). Vivendo e trabalhando inserida na realidade, a paróquia acolhe as angústias e esperanças dos homens e mulheres de hoje (GS 1), anima e orienta a comunhão, a participação e a missão do povo de Deus.
  2. d) A paróquia tem a missão de evangelizar, celebrar a liturgia, realizar a promoção humana, fazer progredir a inculturação da fé nas famílias, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), nos grupos e movimentos apostólicos e, através deles, em toda a sociedade (SD 58).
  3. e) É preciso renovar as paróquias mediante pequenas comunidades eclesiais, com a formação de leigos e leigas, fazendo planos de conjunto em áreas homogêneas (SD 60).
  4. f) As CEBs são a expressão do amor preferencial da Igreja pelo povo simples. Nelas se expressa, se valoriza e se purifica a religiosidade popular e se possibilita um compromisso concreto com a transformação do mundo (Puebla 643). Fomentam a adesão a Jesus Cristo, procuram uma vida mais evangélica, questionam as raízes de uma sociedade egoísta, individualista e consumista, e explicitam a vocação para a comunhão e participação. Elas são o sinal da vitalidade da Igreja, instrumento da formação e evangelização, um ponto de partida válido para uma nova sociedade (Redemptoris Missio 51).
  5. g) Nas pequenas comunidades cresce o relacionamento a participação na Eucaristia, a comunhão com os pastores e um maior compromisso social. Nelas se acentua o compromisso com a família, com o trabalho e a comunidade local.

A multiplicação das pequenas comunidades é um fato eclesial relevante, caracteristicamente novo (Puebla 629 e 640). As pequenas comunidades são a esperança da Igreja (EN 58).

  1. h) Evangelizar em comunhão fraterna é condição para o sucesso da missão. Cristo mandou que todos se amassem como ele amou. A fraternidade parte de um Deus-Comunhão e de um Deus que se faz irmão, para que todos sejam um. O testemunho cristão é essencialmente comunitário. Jesus envia seus discípulos “dois a dois” e ele mesmo vive em comunhão com seus Apóstolos. A comunhão fraterna era o ideal das primeiras comunidades cristãs, que queriam ser “um só coração e uma só alma”. Fraternidade que não se expressava apenas nos bens materiais, mas também nos bens espirituais. Caridade fraterna que se deve manifestar entre os próprios evangelizadores, e entre todos os que crêem no Cristo (CNBB, Diretrizes gerais…, 1999-2002, Doc. 61, n.15). Portanto, a vida de fé em grupos, em comunidade, inspira-se no testemunho da Igreja cristã primitiva.
  2. i) Com estes grupos, a Igreja se apresenta em pleno processo de renovação da vida da paróquia e da diocese, mediante uma catequese que é nova não apenas na sua metodologia e no uso de meios modernos, mas também na apresentação do conteúdo, que é vigorosamente orientado no sentido de introduzir na vida motivações evangélicas em busca do crescimento em Cristo (Puebla 100).
  3. j) A Igreja no Brasil procura concretizar essa fraternidade no espírito da experiência comunitária, reconstruindo na sua base aquele tecido de pequenas comunidades eclesiais, ligadas, com profundos vínculos de fraternidade, sempre abertas, no meio social em que vivem, à solidariedade com o povo (CNBB, Diretrizes gerais…, 1999-2002, Doc. 61, n.17).
  1. k) “A grande comunidade eclesial expressa sua vida em comunidades concretas através da comunhão na fé, vivida, celebrada e testemunhada. A nova evangelização busca criar novas comunidades e exige profunda revisão nas estruturas comunitárias” (CNBB, Diretrizes gerais…, 1999-2002, Doc. 61, n.20).
  2. l) É preciso que, nas Igrejas particulares e especialmente no meio urbano, se reconheça a possibilidade de diversas formas de vida comunitária, integração e associação dos fiéis, sem querer impor um único modelo de comunidade eclesial. No contexto urbano, o fiel é exposto a um número muito grande de solicitações e tem relações com diversos meios profissionais, culturais e residenciais. Nesse contexto, a pastoral não pode ser uniforme ou ligada exclusivamente a um único centro de agregação (CNBB, Diretrizes gerais…, 1999-2002, Doc. 61, n.283).

2.4. Fundamentação pastoral

  1. a) Muitos dos fiéis batizados não são evangelizados. As crianças que fazem a Primeira Comunhão Eucarística não perseveram, os jovens crismados somem da Igreja. Não podemos continuar sendo Igreja que se limita a distribuir sacramentos, sem a devida evangelização. Daí a razão pastoral dos Grupos de Reflexão como um dos meios de evangelização.
  2. b) Nesses grupos, pequenas células das comunidades e da paróquia, a Igreja vai acontecendo nas ruas, nas casas, nos bairros e condomínios. Não estaremos construindo templos de pedra ou madeira, mas comunidades vivas.
  3. c) Através dos Grupos de Reflexão, temos um novo modo de ser Igreja: é a Igreja missionária, que sai às ruas. Sim, a Igreja vai às ruas, às casas. Vai ao encontro do povo, lá onde o povo está. Não podemos permanecer na sacristia, nem na secretaria paroquial. A Igreja tem que estar mais perto do povo. Em vez de ficar reclamando que o povo não vem às missas, às nossas reuniões, etc., nós é que temos de ir ao encontro do povo, ir aonde o povo está. Os verbos ir, sair, partir, caminhar, tão próprios da atividade missionária, são muito usados no livro do Atos para falar da atividade missionária das primeiras comunidades cristãs.
  4. d) Nos Grupos de Reflexão, há continuidade da catequese, facilita-se a catequese em família, acontece a catequese de adultos, os ministérios vigoram, o encontro é personalizado, os problemas podem ser resolvidos com diálogo, eficiência e praticidade.
  5. e) A cultura urbana favorece muito o anonimato e o individualismo. Mas, no fundo do coração, as pessoas querem comunhão. O ser humano moderno não suporta a solidão, nem a massificação, mas almeja a comunhão, o encontro, o diálogo, a comunidade. Os Grupos de Reflexão oferecem oportunidade de encontro e associação, amizade e entre-ajuda.
  6. f) É preciso procurar ver como as pequenas comunidades, que se multiplicam sobretudo na periferia e nas zonas rurais, podem adaptar-se também à pastoral das grandes cidades do nosso continente (Puebla 648).
  7. g) Nos anos recentes, especialmente em face das grandes paróquias urbanas, caracterizadas por uma baixa prática religiosa e o anonimato dos fiéis, reinvidica-se a transformação da paróquia em comunidades de dimensões humanas, possibilitando relações pessoais fraternas (CNBB, Diretrizes gerais…, 1999-2002, Doc. 61, n.285).
  8. A METODOLOGIA DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

3.1. Princípios da metodologia participativa

O grupo de reflexão é um jeito ou uma forma diferente de educar, conscientizar e realizar a formação dos cristãos. Não segue os métodos da escola tradicional, onde um sabe e ensina, outro não sabe e aprende.

Nos grupos se realiza uma evangelização inculturada e uma educação libertadora, uma metodologia participativa, que se caracteriza pelos seguintes princípios:

Todos sabem. Cada um vivencia e transmite experiências pessoais importantes. Em cada pessoa existe um saber, muitas vezes diferente do saber dos outros.

Ninguém ensina ninguém. Juntos nos educamos, aprendemos e crescemos, num relacionamento franco, igualitário, democrático e fraterno.

A pessoa é feita para o diálogo. No grupo treinamos a arte do diálogo, que exige respeito, acolhida e escuta à pessoa do outro. Valoriza-se o saber de todos. Acontece a partilha e a troca de idéias, experiências, conhecimentos e sugestões.

A pessoa é sujeito e nunca objeto. O grupo é o espaço de liberdade para a pessoa expressar-se e agir com autonomia. O grupo favorece a criatividade e as diferentes iniciativas. Nele, educa-se para a liberdade na corresponsabilidade.

O ponto de partida é sempre a realidade. Começa-se com as perguntas e as preocupações da vida. Nos encontros do grupo de reflexão partimos dos fatos concretos da vida e da realidade das pessoas, da comunidade e da sociedade. Olhamos para a realidade.

Reflexão, ação e oração caminham juntas. Liga-se a fé com a vida, a teoria com a prática.

No grupo é muito importante a celebração. Celebra-se a fé e a vida, o compromisso com os irmãos e irmãs, as conquistas, as tristezas, alegrias e esperanças do grupo e da comunidade.

É muito importante o uso de símbolos. Eles facilitam a compreensão dos temas tratados, e de gestos e atitudes que servem para aumentar o afeto e o carinho entre os participantes.

3.2. O método do grupo de reflexão

Método significa caminho, estrada, que ajuda a chegar aonde se quer, a alcançar a meta, o objetivo proposto. O método é o fio condutor, é o sal que dá sabor, a luz que ilumina, o fermento que faz crescer a vida do grupo. Método é o jeito de animar e dinamizar o grupo de reflexão.

Os encontros dos Grupos de Reflexão partem da vida, para chegar a “mais vida”, com nova visão, novo compromisso, novas atitudes, novos sentimentos, nova prática.

Trata-se de um método de evangelização a partir da realidade onde as pessoas vivem, trabalham, se movimentam. O grupo de reflexão segue mais ou menos este caminho: ver – julgar – agir – celebrar.

  1. a) O momento do ver: É a hora de olhar para a vida, para os fatos e acontecimentos, os problemas e as preocupações das nossas famílias e comunidade, do nosso país e do mundo. Ver com os olhos e o coração. Ver a realidade, como Jesus via no seu tempo. Por exemplo: ao ver a multidão de pessoas doentes e famintas, Jesus moveu-se de compaixão (Mt 14,14; Mt 15,29-32).
  2. b) O momento de julgar: É a hora de iluminar a realidade com o olhar de Deus, com um olhar mais profundo. É a hora em que se faz uma reflexão e análise desta realidade à luz da Palavra de Deus ou da Igreja, para descobrir:

– Por que estas coisas acontecem?

– Como Deus vê e julga estes fatos e acontecimentos?

– O que a Palavra de Deus tem a nos dizer sobre isso?

– O que precisa ser corrigido, mudado, para caminharmos na direção do projeto de Deus?

Para os cristãos, a realidade deve ser julgada a partir dos princípios evangélicos, que apresentam como valores máximos a pessoa humana, a vida, a justiça, a misericórdia, a solidariedade, o amor ao próximo…

  1. c) O momento do agir: É a hora de assumir ações concretas, com o objetivo de interferir na realidade para transformá-la, tornando-a mais de acordo com a vontade de Deus. É o compromisso com a mudança do nosso modo de ser, pensar e agir. É o compromisso com a participação na comunidade, com as ações e organizações que nela existem, para enfrentar os problemas coletivos…

Diante da realidade do seu tempo, onde o povo era vítima da exploração, da doença, da miséria, da fome, Jesus assume uma prática libertadora que recupera a vida e a dignidade das pessoas: “Eu vim para que todos tenham vida em abundância” (Jo 10,10).

Pelo seu agir e sua maneira de atender as necessidades do povo, Jesus revela o amor que o Pai tem pela humanidade. O agir cristão, evangélico, tem em vista a transformação radical do ser humano, das famílias e comunidades, da cultura e da sociedade. Tem por objetivo a realização do Reino do Pai.

  1. d) O momento de celebrar: É a hora da oração de súplica, de pedido de perdão, de oferecimento, de louvor, de ação de graças. É a hora de celebrar:

– A fé e a vida,

– A Palavra de Deus refletida e vivida,

– O compromisso pessoal e comunitário ou do grupo,

– As alegrias, esperanças e lutas,

– As vitórias do dia-a-dia de nossa vida.

É importante que celebremos e rezemos com símbolos, gestos, preces, salmos, com muita fé, devoção e criatividade.

Este método participativo, que segue os passos do ver, julgar, agir e celebrar, baseia a formação e a evangelização na reflexão, no estudo, na discussão, na oração e na ação. É muito importante, porque:

– desperta a consciência crítica frente à realidade,

– tira do comodismo,

– compromete com a prática da Palavra de Deus e com os nossos irmãos e irmãs na transformação da sociedade e na construção do Reino de Deus.

  1. O BOM ANDAMENTO DO GRUPO DE REFLEXÃO

4.1. Condições para o bom andamento do grupo:

Para que se alcance o objetivo e o bom funcionamento do grupo, deve-se atender a alguns princípios básicos:

  • Que todos se conheçam e se sintam bem acolhidos no grupo.
  • Que cada um se identifique com o grupo, e que se crie um clima de simpatia, liberdade, amizade e confiança.
  • Que o grupo tenha objetivos claros e bem definidos.
  • Que todos tenham iniciativas e sejam criativos, ajudando o grupo a crescer em qualidade.
  • Que haja distribuição de tarefas, para criar um senso de responsabilidade em cada membro do grupo.
  • Que cada membro se sinta útil e importante; que ninguém fique por fora, marginalizado.
  • Que sejam dispensados os rótulos, etiquetas, preconceitos.
  • Que se dê importância para a avaliação e para revisões efetivas e objetivas das atividades.
  • Que as conclusões dos assuntos e compromissos sejam assumidos a partir do grupo e não apenas do animador/a.
  • Que não se fuja do assunto em debate.
  • Que não se tenha medo de críticas; que se ponham as cartas na mesa, para evitar fofocas; que todos e cada um se deixem avaliar.
  • Que todos saibam que o bom andamento do grupo depende de cada um dos participantes; que a colaboração de cada qual é muito importante, indispensável; que não se espere tudo do/a animador/a.
  • Que haja alegria, otimismo, criatividade, amizade, pontualidade.
  • Que se escolham pessoas com jeito e condições para animar o grupo.
  • Que o animador, a animadora não acumule muitas lideranças.
  • Que o encontro seja bem preparado, dias antes, pelo/a animador/a.
  • Que se crie um clima gostoso e de amizade no encontro do grupo, o qual é também um encontro de amigos, de irmãos e irmãs.
  • Que se use de criatividade para animar o grupo (violão, cantos, chimarrão, cafezinho, bate-papo).
  • Que não se demore muito para realizar os encontros; que eles aconteçam de preferência toda semana ou, no máximo, de 15 em 15 dias.

4.2. Ações práticas dos Grupos de Reflexão

Além das reuniões para reflexão e oração, os Grupos de Reflexão podem se ocupar de outras atividades, como:

  • preparação e animação das celebrações litúrgicas da comunidade;
  • encenação do Evangelho nas missas;
  • encontros, dias de lazer do grupo, passeios;
  • encontros, celebrações com outros grupos;
  • novenas em preparação à festa do/a padroeiro/a nos grupos;
  • missas em setores, reunindo vários grupos;
  • festinhas de aniversário, amigo secreto no grupo;
  • celebrações de batizados, confraternizações de Natal no grupo;
  • celebrações de bodas de ouro e de prata dos casais participantes;
  • participação em romarias, manifestações, concentrações e mutirões;
  • caixinha comum para sustentar a formação de algum seminarista;
  • ajuda às famílias pobres e aos doentes;
  • ajuda às famílias que enfrentam problemas de alcoolismo, drogas;
  • acompanhamento aos velórios e famílias enlutadas;
  • coleta de abaixo-assinados propostos pela Igreja (paróquia ou diocese);
  • atuação em organizações e movimentos populares (associação de moradores, luta por moradia e terra, associações de desempregados, grupos de produção e de comercialização alternativa, sindicatos…);
  • reivindicação de escola, estrada, posto de saúde, creches, ou outras melhorias necessárias na comunidade;
  • cuidado com as situações especiais da comunidade: crianças, jovens, idosos, desempregados;
  • coleta para doações, campanhas de solidariedade;
  • tarefas na comunidade (festas do padroeiro, ajuda na liturgia, limpeza da capela…);
  • roças e hortas comunitárias, mutirão para construção de casas.

4.3. Um modelo de roteiro dos encontros

Este é um roteiro básico. Podem-se criar outros momentos a partir dele. Os materiais que forem usados, já vêm organizados mais ou menos a partir deste roteiro, especialmente os que são produzidos na Arquidiocese.

Este roteiro auxilia o grupo que quer continuar se reunindo para refletir algum assunto, e não sabe como preparar o tema, o encontro. Isso acontece, por exemplo, quando o grupo termina de realizar os encontros propostos pelos livretos da Arquidiocese, e ainda não chegaram os livretos para o momento seguinte. Ou quando o grupo quer se encontrar no tempo que vai do Natal até o início da Quaresma. Em vez de somente rezar o terço, o grupo deve manter-se como grupo de reflexão, onde a Palavra de Deus fica no centro de tudo.

O roteiro é o seguinte:

  • Preparação anterior: Distribuição das lideranças e suas tarefas (pode ser feita no final de cada encontro); preparação do ambiente (símbolos, ornamentação…); leituras, cantos, orações. Um encontro mal preparado desacredita a caminhada.
  • Acolhida: Feita pelos donos da casa, ou pelo/a animador/a… Na chegada, receber bem os participantes. No início do encontro, apresentar as pessoas não conhecidas, acolher bem os que chegam pela primeira vez e os visitantes. Todas as pessoas devem se sentir bem, como membros da família de Deus.
  • Momento de oração: Criar um clima propício para o encontro com Deus e com os irmãos e irmãs, tomando consciência da sua presença no meio do grupo. Lembrar o que Jesus disse: “Quando dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).
  • Momento das notícias da vida: As pessoas são motivadas pelo animador/a para falar sobre fatos e acontecimentos da vida da comunidade, do bairro, da cidade, do país e do mundo. É a hora de partilhar sentimentos e angústias, de comunicar acontecimentos, como nascimentos e falecimentos, casamentos e batizados, viagens, retiros, etc.
  • Motivação do encontro: É a hora de apresentar o tema a ser tratado e o objetivo do encontro. É importante que o/a animador/a leia antes o conteúdo do encontro, que procure outras informações sobre o tema, para ajudar a realização do encontro. Há temas que são difíceis de serem tratados, como assuntos de política, de economia, de pluralismo religioso e outros temas sociais. Mas, não é por serem difíceis ou complicados que se deve fugir deles. Ao contrário, aí mesmo é que se deve estudá-los e conversar sobre eles.
  • Fato da vida: Lembrar algum fato da vida ou dados da realidade relativos ao tema do encontro, conforme o método do grupo de reflexão, que parte sempre da realidade. É a hora do “ver”. Além do fato proposto no livreto, outros parecidos podem ser partilhados.
  • Leitura da Palavra de Deus: É o momento central do encontro, quando se lê um texto bíblico, relacionado ao tema do encontro e aos fatos da vida. Deve-se ter um grande amor e respeito pela Bíblia.
  • Aprofundamento da Palavra relacionada com a vida: Uso de outros textos, análises, comentários referentes ao assunto refletido. É a hora do “julgar”, de apreender e perceber o que a Palavra de Deus nos tem a dizer.
  • Momento de conversa: Debate e reflexão, à luz daquilo que foi visto anteriormente. Com toda a liberdade de filhos e filhas de Deus, os participantes expõem suas idéias e opiniões sobre o tema tratado. É hora de deixar falar o coração, de comentar a Palavra de Deus.
  • Compromisso: Em resposta aos apelos feitos pela realidade e pela Palavra de Deus, em cada encontro, é importante que o grupo assuma algumas ações concretas. Sem ação, o grupo morre. Esta é a hora do “agir”. Os compromissos assumidos pelo grupo devem ser postos em prática durante a semana. Em cada encontro, é bom conversar sobre o que, de fato, foi feito.
  • Oração e Bênção: É o momento de celebrar o compromisso assumido, de invocar a bênção de Deus, para que, fortalecidos pela sua graça, todos continuem firmes na participação da comunidade e na proposta de Jesus Cristo. O/a animador/a pode sugerir orações espontâneas. Não se pode esquecer que há muitas modalidades de se fazer a oração cristã: pedidos, oferecimentos, louvores, agradecimentos, pedidos de perdão, compromissos, adoração. Quase sempre acontece que as pessoas só façam pedidos. Deve-se sugerir e ensinar outras modalidades de oração.
  • Programação do próximo encontro: Marcar data, local, horário; distribuir as tarefas, etc.
  • Atenção! A música e os cantos são muito importantes, pois, como já sabemos, “quem canta, reza duas vezes”. Também sabemos que “quem canta, seus males espanta”. Mas, atenção ao lugar da vírgula, pois “quem canta seus males, espanta”; isto é, quem só fica falando de seus males, só se lamentando da vida, espanta os outros. O canto é para a alegria e a festa. Entre os diversos momentos do encontro, pode-se intercalar cantos, refrões e outras músicas, que tenham ligação com o tema.
  1. DIFICULDADES QUE OS GRUPOS ENFRENTAM

Em todos os grupos, não são poucos os problemas que vão aparecendo ao longo do caminho. Vejamos algumas dessas dificuldades que os grupos enfrentam:

  • há falta de motivação e de conscientização das comunidades sobre a importância e finalidade dos Grupos de Reflexão;
  • não há apoio e acompanhamento dos párocos;
  • falta interesse e participação, de modo especial dos homens e dos jovens, em certos locais;
  • muitos não aceitam o modo de agir da Igreja, especialmente com relação às questões sociais e políticas;
  • há pessoas que não aceitam que a Igreja fale em política e nos problemas do povo;
  • há quem participe por obrigação e só para receber os sacramentos;
  • há famílias que mudam muito de lugar;
  • a temporada de verão enfraquece a caminhada dos grupos;
  • há falta de animadores/as bem preparados e convictos de sua missão;
  • há problemas no relacionamento com outras religiões e rotatividade entre as igrejas;
  • há falta de ação prática nos grupos;
  • há dificuldades financeiras;
  • há falta de tempo e dificuldades com os horários;
  • há pessoas que só querem rezar, ou então não seguem os passos dos encontros, não refletem; há pouca participação nos debates sobre o assunto que se está tratando;
  • há analfabetismo e dificuldade de leitura;
  • há muita pressa de ver as mudanças e desânimo frente à realidade;
  • há discórdia e posições diferentes entre os membros dos grupos;
  • há intrigas e divisões entre as famílias (medo, fofocas…);
  • há falta de apoio da comunidade aos/às animadores/as e aos grupos;
  • há falta de acompanhamento e incentivo aos grupos por parte dos responsáveis pela pastoral (padres, diáconos, coordenações…);
  • há crítica e desprezo da parte dos que não participam;
  • há descrença nos grupos e na mudança social;
  • há grupos muito grandes, dificultando a partilha e a escuta de todos os participantes.

Quais dessas dificuldades estão presentes no seu grupo? O que fazer para superá-las? 

  1. OS FRUTOS DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

As pessoas que participam, mostram que os Grupos de Reflexão estão produzindo muitos frutos na vida das pessoas e nas comunidades cristãs. Vejamos alguns desses frutos. Os Grupos de Reflexão…:

  • ajudam a comunidade a caminhar mais organizada, com a participação e o compromisso de mais pessoas;
  • promovem união nas famílias e nas comunidades;
  • favorecem o conhecimento da realidade e dos direitos dos cidadãos;
  • incentivam o diálogo aberto entre as pessoas;
  • despertam os carismas para os vários ministérios e serviços;
  • dão coragem e firmeza no compromisso com a luta pela vida e pela justiça;
  • despertam o senso crítico e a consciência política;
  • criam laços de fraternidade e amizade entre as pessoas, nas famílias, na vizinhança;
  • libertam do medo de falar;
  • transformam os evangelizados em evangelizadores, missionários;
  • incentivam para a busca conjunta da solução dos problemas;
  • ajudam a entender a caminhada atual da Igreja;
  • tornam mais conhecida e vivida a Palavra de Deus;
  • são força de renovação da Igreja;
  • favorecem o surgimento de uma nova estrutura de Igreja, entendida como “rede de comunidades”;
  • abrem caminho para o diálogo com os cristãos das diversas denominações (evangélicos, presbiterianos, batistas, pentecostais, etc…), bem como com outras religiões (budismo, islamismo, judaísmo, etc…);
  • ajudam a criar homens e mulheres novos, sujeitos de sua história e agentes de transformação da realidade, segundo o Reino de Deus;
  • abrem caminhos para projetos alternativos (trabalho com meninos e meninas de rua, grupos de geração de renda, etc…);
  • ensinam a dar valor às idéias do outro;
  • oferecem oportunidade de reconciliação entre inimigos e vizinhos;
  • dão novo rumo à vida;
  • ajudam os leigos e as leigas a se sentirem mais Igreja;
  • libertam os fiéis da dependência e da submissão em relação ao padre e a outras autoridades;
  • oportunizam celebrações vivas e comprometidas, nas casas;
  • fazem surgir vocações e ardor pela missão e evangelização;
  • favorecem a promoção humana;
  • incentivam os pobres a acreditar na força da união e da comunhão;
  • ajudam a viver melhor os acontecimentos e a realidade que nos envolve.
  • Quais destes frutos aparecem no seu grupo? O que fazer para que outros frutos aconteçam ainda mais?

SEGUNDA PARTE – ORIENTAÇÕES PARA OS ANIMADORES E ANIMADORAS DE GRUPOS DE REFLEXÃO

  1. A MISSÃO DOS ANIMADORES E ANIMADORAS DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

A evangelização é missão e responsabilidade da Igreja toda. Todos os/as batizados/as são chamados a evangelizar. Os cristãos leigos e leigas devem ter consciência de que são sujeitos da evangelização e, para isso, exige-se deles uma adequada formação e profunda espiritualidade.

No exercício de sua liderança, junto aos Grupos de Reflexão, os animadores e animadoras estão realizando um trabalho evangelizador e missionário, estão anunciando a Boa-Nova da Salvação e do Reino de Deus.

O ministério do/a animador/a é um serviço em vista do bom andamento do grupo e do crescimento dos seus participantes, na fé e no compromisso com Deus e com os irmãos e irmãs.

1.1 Quem é o animador, a animadora?

  • É aquela pessoa que convida, anima as pessoas a participar do grupo.
  • É alguém com:

* os pés no chão,

* os olhos na realidade,

* a Bíblia na mão,

* o coração na comunidade.

  • É alguém bem motivado para a importância dos Grupos de Reflexão; alguém que transmite sua motivação a todas as pessoas; alguém que usa estas motivações para gerar expectativas, esperança, novas atitudes.
  • É alguém convicto sobre o valor dos Grupos de Reflexão, seus frutos positivos, sua importância para as pessoas, as famílias, a paróquia e a sociedade.
  • É alguém motivado, entusiasmado, que leva outras pessoas a acreditar no grupo de reflexão, a amar o grupo e a se converter ao grupo.
  • Tem motivações, não desanima e não é negativista e nem derrotista.
  • Sempre promove os Grupos de Reflexão.
  • Sabe o que quer, tem visão das coisas, tem objetivos claros.
  • É alguém que tem a firmeza do profeta e a ternura da mãe.
  • É o coração do grupo. Sem o animador, a animadora, o grupo morre.

1.2. O papel do animador/a

Cabe ao animador/a realizar os seguintes serviços – Sempre:

  • Rezar pelo grupo e também por cada pessoa do grupo.
  • Cuidar para que o grupo não seja muito grande, pois deve haver tempo para todos terem vez e voz.
  • Visitar, sempre que possível, os membros do grupo.
  • Convidar e motivar as famílias e os vizinhos para participarem do grupo, lembrando sempre o dia, hora e o local do encontro. Ajuda a participação de toda a família, quando o convite é feito por um casal.
  • Acreditar no grupo e dedicar tempo para o grupo.
  • Colocar sempre outra pessoa no seu lugar quando houver qualquer imprevisto.

Nunca deixar o grupo sem rumo.

  • Esclarecer a finalidade e os objetivos do grupo de reflexão.
  • Juntar-se aos ministros/as da visitação e da bênção que atuam na comunidade, para ajudá-los a criar novos Grupos de Reflexão com as visitas às casas.
  • Reivindicar, junto ao pároco e ao CPP ou CPC, que haja ministros/as da visitação e da bênção na paróquia e na comunidade, a fim de se favorecer, com esse ministério, a criação de novos Grupos de Reflexão.
  • Ter como missão principal o compromisso de criar novos Grupos de Reflexão na cidade, nos prédios, nos bairros e no interior.

Antes do encontro:

  • Preparar o encontro antecipadamente.
  • Tomar conhecimento e estudar o assunto que será tratado.
  • Providenciar o que se pede para o encontro (cantos, símbolos, orações…), como também usar da criatividade e pedir ajuda a outras pessoas para a preparação do encontro.
  • Prever sempre o local e a hora exata do encontro, fazendo tudo com muito zelo e carinho.
  • Distribuir as tarefas. Assim, os leitores/as e cantores já vêm preparados.
  • Estar atento aos acontecimentos alegres e tristes dos membros do grupo

(aniversários, doenças, mortes, nascimentos…).

Durante o encontro do grupo:

  • Acolher as pessoas, fazendo com que se sintam à vontade, valorizando a presença de todos (crianças, jovens, adultos, idosos).
  • Criar um clima positivo e alegre.
  • Motivar as pessoas a falarem. Perguntar às pessoas mais caladas: “Qual a sua opinião?”.
  • Respeitar o silêncio e a timidez das pessoas; não forçar a barra.
  • Cuidar para que as pessoas não se desviem do assunto;
  • Animar e estimular todos os participantes a falar sobre o assunto refletido.
  • Não falar o tempo todo, como também não deixar alguém falar sozinho.
  • Acolher idéias, questionar o grupo, mas não tomar partido em uma discussão.
  • Motivar para que os participantes tragam a Bíblia para o encontro, pois a Bíblia é o instrumento principal dos Grupos de Reflexão.
  • Manter o grupo unido, firme e entusiasmado.
  • Favorecer a participação de todos nos debates e nas tarefas.
  • Responder sempre que alguém pedir a sua opinião. Se você não souber a resposta, seja humilde, diga que não sabe ou prometa trazer no próximo encontro.
  • Recordar pontos do encontro passado, motivando a partilha do compromisso assumido (Se foi posto em prática; como? Ou, se não conseguiu, por quê?).
  • Incentivar o grupo para que chegue a conclusões e compromissos concretos.
  • Avaliar o encontro com o grupo. Ver o que foi bom e o que pode ser melhorado.
  • Procurar ver sempre o lado positivo da questão, evitando as críticas negativas.

1.3. Qualidades e atitudes de um bom animador/a de grupo

  • Dá vez e voz aos participantes.
  • Aceita as idéias e valoriza as experiências dos outros.
  • Decide e assume em conjunto.
  • Não é dominador/a, nem autoritário/a.
  • Faz surgir novas lideranças.
  • Tem clareza e ajuda o grupo a entender o objetivo da reunião.
  • Ajuda o grupo a ver a problemática da comunidade à luz da realidade nacional.
  • Esclarece aos participantes que as mudanças dependem também do nosso empenho, da nossa participação e do nosso trabalho perseverante e muitas vezes demorado.
  • Aceita crítica e avaliação para fortalecer o trabalho e superar os problemas.
  • Ajuda o grupo a ser unido e torna-o forte para a ação.
  • Tem consciência crítica e questiona o grupo.
  • Está disposto/a a servir ao grupo e dar a vida pela causa do povo.
  • É uma pessoa de fé, esperança e muito amor.
  • Acredita na força do povo e na presença do Deus libertador.
  • Está firme na caminhada da Igreja hoje.
  • Não se deixa vencer pelo desânimo.
  • Ajuda a acender luzes, em vez de apagá-las.
  • Sabe distinguir a brincadeira daquilo que é sério.
  • Acredita no que faz.
  • Confia no grupo.
  • Não fala de si mesmo.
  • Participa da vida da comunidade, dos encontros de formação, das atividades da paróquia, da comarca e da Arquidiocese, buscando aprender.
  • Convida outras pessoas a também participarem desses encontros.
  • Proporciona situações para que o grupo tenha mais vida: retiros, festinhas, celebrações, passeios, jogos, caminhadas, amigo secreto, etc.
  • Participa dos momentos de dor da comunidade: mortes, doenças, problemas familiares, desemprego, etc.
  • Participa dos momentos de alegria da comunidade: nascimentos, casamentos, novos moradores, etc.
  • Visita as pessoas do grupo e promove visita do seu grupo a outros grupos dentro da paróquia.

1.4. Como superar as dificuldades?

Quando falta preparo, formação, metodologia e jeito de conduzir o encontro:

  • Recorrer à equipe de coordenação, paroquial e da comunidade, e pedir e exigir que haja formação de animadores/as e de participantes dos grupos.
  • Ler livros por sua própria conta.
  • Buscar saídas para a situação..

Quando o animador/a acumula lideranças:

  • Refletir e lembrar que os Grupos de Reflexão são prioridade em toda a paróquia, região Brasilândia e na Arquidiocese. Por isso, seu grupo merece toda a atenção. Se por acaso participamos de outras pastorais, nem sempre podemos dar a atenção necessária para o grupo. É necessário deixar algumas tarefas para outras pessoas, a fim de que o/a animador/a não se sobrecarregue e possa melhor servir ao grupo.
  • Acreditar que o próprio grupo ajuda a despertar novas lideranças.
  • Ter perspicácia para perceber carismas e dons que as pessoas têm, e incentivá-las a assumirem serviços em favor da comunidade.

Quando falta uma visão clara de política geral e partidária:

  • Lembrar e ensinar que a política, enquanto bem comum, defesa dos direitos humanos, luta contra o desemprego, conscientização de justiça…, é dever de todos nós. Que toda política deve sempre pensar no bem comum, dando força aos valores da comunidade, como: participação, convivência, igualdade, liberdade e justiça.
  • Buscar exemplos de ação política na Bíblia: Deus enfrentou o poderoso faraó, para libertar o povo da escravidão. Por causa de sua opção pelos pobres e pela defesa da vida humana, Jesus foi processado e morto pelo poder político.
  • Informar-se, junto à paróquia e à Arquidiocese, sobre subsídios que ajudem na formação política dos cristãos.

Quando há fofocas:

  • Lembrar-se de que sempre haverá quem gosta de falar. Não entrar no jogo da fofoca. Fazer a sua parte e deixar Deus fazer a dele.
  • Ajudar as pessoas a superarem o vício da fofoca.
  • Não desanimar quando você é o alvo da fofoca. Ver se há algum fundo de verdade; aprender a corrigir-se. Se você é inocente, lembrar a bem-aventurança da perseguição.

Quando falta clareza sobre a finalidade do grupo:

  • Buscar conhecimento sobre os objetivos do grupo, através de outros grupos ou da própria coordenação da comunidade ou paróquia.

Quando alguém só quer rezar e não quer seguir o livrinho ou então não quer refletir:

  • Lembrar que os Grupos de Reflexão são prioridade na Arquidiocese.
  • Explicar que grupo de reflexão não é apenas grupo de oração.
  • Recordar que no grupo de reflexão há lugar para a oração, a leitura e a reflexão da Palavra de Deus, o amor fraterno e o compromisso cristão.
  • Cuidar para que o grupo não se transforme em reza do terço, nem em grupo de oração carismática, nem em capelinha de Nossa Senhora. Todas essas atividades podem ser feitas também no grupo de reflexão, mas desde que se use o livreto da Arquidiocese, seguindo cada passo do livrinho.
  • Não esquecer: grupo de reflexão é um modo moderno e atualizado de reviver a prática das primeiras comunidades cristãs.

Quando falta a participação dos homens e dos jovens:

  • Não criticar ou combater os homens e os jovens, mas conquistá-los.
  • Colocar homens como animadores.
  • Buscar horários que sejam convenientes a eles.
  • Convidá-los através dos colegas.
  • Ao convidar as pessoas, fazer um convite especial ao dono da casa.
  • Quando os jovens participam do grupo, dar tarefas a eles.
  • Se, por causa do horário, não podem participar, incentivá-los a fazer um grupo de reflexão só de jovens.

Quando alguém desvia o assunto:

  • Valorizar o que as pessoas estão conversando, mas convidá-las, com jeito, a voltar para o assunto do dia. Pode-se fazer uma pergunta que provoque a volta ao tema central do dia.
  • Lembrar que esse assunto já foi tratado ou será ainda tratado em outro

encontro.

  • Anotar o tema que os participantes estão tratando e apresentá-lo à comissão de elaboração dos livretos, para ser tratado em algum encontro futuro.

Quando o grupo está desanimado:

  • Promover uma avaliação, que favoreça a melhora do grupo.
  • Chamar uma ou outra pessoa (animador/a ou coordenador/a) para ajudar.
  • Ser criativo/a. Promover um retiro, um encontro de lazer, ou passeio, ou uma missa junto com outros grupos.
  • Visitar as pessoas para conquistá-las.
  • Conversar em particular com os negativistas.

Quando o grupo é pequeno:

  • Não se preocupar com o número. Se o grupo é unido e forte, é bom continuar assim.
  • Não esquecer de ir ao encontro das pessoas. Com o ministério da visitação das famílias, pode-se conseguir mais pessoas para o grupo.

Quando o grupo é muito grande:

  • Não ter receio de dividi-lo em dois ou três grupos. Um grupo de reflexão não deve ser muito grande, porque no grupo todas as pessoas têm que ter tempo para falar. Se o grupo é muito grande, as pessoas só ouvem, rezam e cantam, mas não falam. O grupo é para todos falarem, participarem, darem sua opinião.
  • Formar outros grupos é uma atitude missionária, evangelizadora. É preciso ser ousado, e acreditar que a multiplicação dos grupos facilita a ida da Palavra de Deus a mais casas e famílias.
  • Não ser dono/a do grupo.

Quando ministros, catequistas, lideranças, diáconos, padres criticam ou não apoiam os grupos:

  • Levar o assunto ao CPP.
  • Reclamar destas pessoas junto ao pároco, ao bispo, às coordenações. Se os Grupos de Reflexão são prioridade pastoral da Arquidiocese, não se pode conceber pessoas que os critiquem ou não os apoiem. Por isso, quem critica ou atrapalha a caminhada dos Grupos de Reflexão deve ser corrigido, e deve se corrigir.
  • Não é preciso exigir que todos participem de Grupos de Reflexão, pois muita gente já tem muitos trabalhos. Mas deve-se pedir que não critiquem e que apóiem.

1.5. Como tratar os diferentes tipos de participantes dos Grupos de Reflexão?

É função do/a animador/a estar atento/a à diversidade dos participantes do grupo, sabendo que todos têm qualidades que ajudam no crescimento do grupo, e têm limites que podem ser superados. Vejamos alguns tipos de participantes e a maneira como trata-los:

Quando o TIPO é: O ANIMADOR age assim:

Perguntador/a: Só atrapalha. Quer a todo custo impor a sua opinião.

Não deve responder e nem posicionar-se. Deve perguntar o que o grupo está achando.

Cabeçudo/a: Não aceita argumentos. Não entende e não quer entender a opinião dos outros. Deve pedir-lhe como favor pessoal que aceite a opinião do grupo, e prometer-lhe que depois discutirá o assunto com ele/ela.

Mudo/a: Ou o assunto não lhe interessa, ou já está cansado/a, ou está totalmente por fora, ou é tímido/a. Deve motivá-lo/a, perguntando-lhe o que está achando da discussão e pedir sua opinião.  Nunca humilhá-lo/a.

Falador/a: Fala de tudo, o tempo todo, fugindo do tema. Tenta promover-se a si mesmo. Com delicadeza, deve cortar-lhe a palavra: “Desculpe, mas estamos fora do tema, e há outros que querem falar.”

Tímido/a: Tem boas idéias, mas tem dificuldade de expressá-las.

Deve ajudá-lo/a, através de perguntas simples; e fazer elogios, quando merece. Isso ajuda a criar confiança.

Distraído/a: De repente começa a falar de qualquer coisa, sem se lembrar do assunto do encontro. Deve cortar-lhe a palavra com jeito, recordando-lhe o tema e pedindo sua opinião.

Detalhista: A pessoa que se enrola com pequenos detalhes, e não deixa o grupo caminhar. Com bom humor, deve mostrar-lhe que os detalhes são importantes, mas não tanto. Os detalhes podem ficar para outra hora.

Seguro/a: Sempre disposto/a, disponível, seguro/a de si e de sua posição no grupo. Gosta de ouvir e aceita opiniões. Participa bem. Deve pedir sempre sua opinião e agradecer sua contribuição. É uma grande ajuda no grupo.

Profundo/a: Fala pouco, mas participa. Quando fala, vai à raiz da questão. Não perde tempo em detalhes. Não deve deixar que os demais se sintam julgados por ele. Evitar que o grupo comece a depender de suas opiniões.

Prático/a: Não liga muito para a teoria. Seus exemplos são da vida concreta, do real, muito simples. Ajuda o grupo a aterrissar. Deve ajudá-lo a superar o simplismo, integrando o teórico e o prático. Deve lembrar a importância do estudo e da reflexão.

Legal: Consegue fazer rir com facilidade e contagia o grupo com seu otimismo. Alivia as tensões. Deve aprender a valorizar esta pessoa, sem que o grupo vire bagunça.

Super-otimista: Sempre encontra o lado bom das coisas e das pessoas. Defende os mais fracos. Gosta de elogiar. Deve valorizar este otimismo e ajudá-lo a perceber que há coisas negativas, que precisam ser vistas, para serem corrigidas.

  1. OS 10 MANDAMENTOS DA ESPIRITUALIDADE DO ANIMADOR, DA ANIMADORA, E DA COORDENAÇÃO DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

Todo animador/a de grupo ou de comunidade é um mensageiro da paz e da Boa- Nova da salvação em Jesus Cristo. É um enviado por Deus, para anunciar o Evangelho ao grupo, à comunidade. Evangeliza pela palavra e pelo testemunho de vida. Para que as pessoas acreditem na sua mensagem, algumas atitudes são indispensáveis. A pessoa que exerce o ministério da animação de algum grupo de reflexão deve cultivar os seguintes mandamentos da espiritualidade dos cristãos leigos e leigas:

  1. EscutarTer capacidade de escuta e de diálogo. Saber relacionar-se e valorizar as pessoas na sua diversidade, descobrindo os seus valores. Não se sentir superior a ninguém. Ter convicções profundas, mas não se considerar dono/a da verdade.
  2. Acolher e cultivar a ternuraConsiderar cada pessoa como centro de tudo. Acolher a todos sem fazer distinção de pessoas. Cultivar o cuidado, o carinho e a ternura no relacionamento com o grupo e com a comunidade.
  3. Solidarizar-seEstar atento/a aos problemas de sua comunidade, do seu grupo, sem cair em atitudes paternalistas ou autoritárias. Ter uma grande sensibilidade humana e social, com um forte sentido da justiça e da verdade.
  1. ResistirAgüentar firme os momentos difíceis, sem desistir. Fazer-se presente quando precisam dele/a, porque sabe que sua missão não tem horário. Não pecar por omissão e nem ser covarde e medroso/a.
  2. Ter paciência e esperar – Saber que a paciência é uma das virtudes mais

importantes do/a animador/a. Caminhar com o povo e colocar-se no ritmo de sua história. Saber esperar com paciência o que vai acontecer: “Deus tarda, mas não falha”. Olhar com esperança para o futuro.

  1. Crer no Deus da vida – Experimentar a fé em Deus e o amor profundo e pessoal a Cristo, como sustento pessoal. Saber que sem fé não há missão. Tirar da fé a paixão pela missão de evangelizar.
  2. Amar na gratuidade – Ser uma presença amiga e gratuita. Não se deixar levar por interesses pessoais. Ser capaz de amar e doar-se, sem esperar recompensa. Encontrar Deus e Jesus Cristo especialmente nos pobres, nos que sofrem, já que eles são os preferidos de Deus. Percorrer com eles os caminhos do Evangelho, amando, como Jesus, até o fim.
  3. Rezar sem desanimar – Cuidar para não tornar-se como muita gente quebrada e desnorteada, por não rezar e não abastecer as forças, as utopias e sonhos, no coração de Deus. Alimentar a própria fé com a oração diária. Aprender, na oração e na escuta da Palavra de Deus, a construir o Reino, com paciência e coragem.
  4. Assumir a cruz – Viver a palavra de Jesus: “Quem quiser meu ser meu discípulo, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). Saber que na vida cristã não há outro caminho possível para percorrer. Saber que a missão nasce e cresce aos pés da cruz, que a persistência e a paciência são frutos de uma cruz aceita com alegria.
  5. Ser coerente – Apoiar a própria credibilidade no testemunho de vida, até as últimas conseqüências. Seguir o exemplo de Jesus, que faz o que diz: “Eu, vosso Mestre e Senhor, vos lavei os pés; também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13,14-15).
  6. MISSÃO E TAREFAS DA COORDENAÇÃO DOS GRUPOS DE REFLEXÃO

É necessário que em cada Paróquia e em cada Comunidade haja uma equipe de Coordenação dos Grupos de Reflexão, para dar assistência e apoio e animar os grupos.

Essa equipe de Coordenação terá que estar convicta do valor dos Grupos de Reflexão, ter clareza de suas finalidades e entender sua organização e seu funcionamento.

Para poder exercer sua missão de articular e animar os grupos, a equipe de coordenação deverá ter formação permanente, participar de cursos de liderança, escolas bíblicas e teológicas.

Cabe à coordenação realizar as seguintes tarefas:

  • Conscientizar a comunidade a respeito da importância e finalidade dos Grupos de Reflexão.
  • Incentivar as famílias a participarem dos grupos.
  • Ajudar a resolver problemas dos grupos.
  • Visitar os grupos, juntamente com os padres, diáconos e outros agentes de pastoral.
  • Ajudar a organizar encontros de celebração e confraternização dos grupos da comunidade e da paróquia.
  • Incentivar os grupos para a ação e participação, nas atividades da comunidade e nos compromissos sociais.
  • Acompanhar o trabalho dos animadores/as e colaborar na sua preparação, quando preciso.
  • Ajudar na organização e criação dos grupos da comunidade.
  • Planejar e promover a realização dos encontros e cursos de formação dos animadores/as.
  • Realizar encontros com os animadores/as, para:

* estudo de cada novo livrinho;

* troca de experiência;

* formação;

* avaliação do andamento dos grupos;

* planejamento de ações conjuntas.

  • Realizar encontros com todos os participantes dos grupos da comunidade ou paróquia para celebração e confraternização (início ou encerramento de novenas de Natal ou Quaresma, datas festivas, dia da Bíblia…), para debate e aprofundamento de temas…
  • Comunicar reuniões e cursos dos animadores/as.
  • Fazer a ligação dos grupos com o Conselho de Pastoral da comunidade e da paróquia.
  • Orientar na troca e escolha de novos animadores/as, onde e quando necessário.
  • Providenciar material para os grupos e usar, de preferência, material produzido pela Arquidiocese, valorizando o que é nosso e viabilizando uma verdadeira pastoral de conjunto.
  • Ter conhecimento da quantidade exata de material necessário, para não deixar faltar e nem sobrar.
  • Encomendar com tempo, receber e distribuir os materiais (livrinhos, folhetos, cartazes…), para os encontros, e organizar a forma de pagamento.
  • Participar de encontros de formação promovidos pela Arquidiocese e pela região e pela paróquia.

Estas várias ações não são apenas da coordenação. Seus primeiros responsáveis são os párocos, diáconos e demais agentes de pastoral da paróquia. Somente com o trabalho conjunto destes com a equipe de coordenação é que os Grupos de Reflexão alcançarão seus objetivos.

Conclusão

A organização e o acompanhamento dos Grupos de Reflexão e a formação dos animadores e animadoras é, para nós, uma prioridade.

Temos uma certeza: na medida em que se fortalece a fé e o ministério dos/as animadores/as, crescem e se fortalecem os grupos e com isso um novo jeito de ser Igreja.

Esse novo modo de ser Igreja vai levar o povo a uma melhor participação na ação pastoral e evangelizadora. Isso fará com que as pessoas vejam com os próprios olhos, pensem com a própria cabeça, amem com o próprio coração, falem com a própria língua, andem com os próprios pés e construam sua própria história. E, sobretudo, ajudará as pessoas a fazerem uma real experiência de Deus e de seu amor por cada um de seus filhos e filhas. Desse jeito, o povo vai, aos poucos, construindo o Reino de Deus, que é “um novo céu e uma nova terra. ” (Ap 21,1).

Por fim: toda a orientação reunida neste caderno partiu da convicção de que nós acreditamos na importância e no valor dos Grupos de Reflexão e nesse novo jeito de ser Igreja, que estamos construindo a partir deles.

Padre Francisco Reginaldo Henrique de Miranda

Região Belém – Arquidiocese de São Paulo

 

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